Archive for Outubro, 2003
Esse blog está de luto

E o bardo se foi. Estava adiando há tempos um texto sobre ele. Infelizmente, ele se foi antes. Seu último disco, “American IV: The Man Comes Around”, é um dos mais interessantes que escutei nos últimos anos.
Nesse projeto, que já tinha rendido outros três volumes, ele resgata várias gemas do rock. No último, ele regravou a canção, ou melhor, o hino da autocomiseração do Nine Inch Nail: “hurt”. Os versos “I hurt myself today / To see if I still feel / I focus on the pain” nunca soaram tão verdadeiros.
Sua voz faz com que fiquemos condoídos, algo como o vocalista do Alice in Chains conseguia. Isso é o que distingue o cantor do interprete. A dor, que não necessariamente é nossa, nos é passada pela voz de outra pessoa (e nós a compartilhamos). Pouquíssimos artistas conseguem isso sem cair no ridículo (ser caricatural, como o vocalista do Creed, é um erro recorrente).
Mas esse disco ainda traz outro grande acerto. A regravação de “Personal Jesus”, do Depeche Mode. E nos demais discos? escute “One”, do U2, na voz de Johnny Cash e você vai perceber que o que mais conta não é a técnica vocal, mas a emoção.
E ele morreu justamente na hora em que estava sendo redescoberto. Na Amazon.com, vários de seus discos estão entre os mais vendidos. Ademais, o clipe de “Hurt” foi indicado em várias categorias da premiação da MTV americana.
Pelo menos a obra fica. E vêm mais coisas por aí. Rick Rubin, produtor dos últimos discos dele, afirma que há ainda muito material a ser lançado. Espero ansioso.
Dizem que não se morre de amor. Antes da morte de Johnny Cash, diziam que ele havia mergulhado no trabalho, visto que não suportava a ausência da sua mulher, que havia morrido recentemente. E tem o caso também da mulher de Fellini, que morreu pouco tempo depois do grande cineasta. Precisa escrever mais alguma coisa? Precisa: o amor pode até não matar, mas a saudade…
Add comment Outubro 15, 2003
Don’t Talk, just kiss
E eis que Madonna apronda mais uma das suas. Na entrega dos prêmios da MTV americana de ontem, ela fez um show com Britney Spears e Christina Aguilera. Fora o inusitado do encontro de cantoras tão distintas, Madonna tascou um beijo em uma e na outra (quem quiser ver a beijoca, clique aqui).
O show, que abriu a premiação, começou com as duas cantoras teens cantando “Like a Virgin”, da Madonna. Ambas usavam modelitos semelhantes a um que Madonna usou nos anos 80 na mesma premiação. Depois, Madonna cantou sua nova música, “Hollywood”. No final da apresentação aconteceram os “beijos”.
Eu gosto muito da material girl (aliás, acho que ela fez um bem danado às meninas nos anos 80). Entretanto, julgo o seu último ato tresloucado muito mais como desespero. Seu álbum está vendendo muito pouco e nenhum dos dois singles emplacaram nas paradas. Ou seja, o ato foi uma tentativa de chamar desesperadamente atenção.
De certa forma, hoje se fala muito mais de assuntos como esse do que da música em sim. Na terça, o assunto do VMB não foi propriamente os vencedores (fracos, de fato), mas sim o beijo (muito sem graça, por sinal) de Sônia Braga e do Júnior.
De qualquer forma, para quem quiser saber os ganhadores da MTV americana, clique aqui. Agora é só aguardar para ver a premiação, visto que a MTV Brasil não transmite o evento ao vivo.
Add comment Outubro 15, 2003
Os 50 artistas mais chatos da história do rock
Hoje, dois jornais noticiaram sobre uma lista feita pela revista americana “Blender” com os 50 artistas mais chatos do mundo. Na Folha de S. Paulo, o sempre polêmico Álvaro Pereira Júnior (acesso exclusivo para assinantes do jornal ou do provedor UOL) escreveu sobre o assunto. Já o jornal O Globo fez uma matéria mais extensa, com várias pessoas comentando os nomes escolhidos.
Como toda lista, essa é bem polêmica. Claro, há nomes obrigatórios, como Manowar (na foto), Kenny G
Nelson, Rick Wakeman, Asia, Yngwie Malmsteen (na minha lista, seria o primeiro), Creed, Celine Dion, Vanilla Ice e Michael Bolton.
Mas há coisas simpáticas, que não deveriam estar lá, como Spin Doctors, Blind Melon, Doors, Bob Geldof, Live, Tin Machine, Mick Jagger e sua carreira solo e Jamiroquai. Há coisas bem piores que poderiam preencher essas vagas. Todavia, eu que não sou um fã xiita de nada, não levo tão a sério isso. Na verdade, acho divertido, até porque a matéria é muito engraçada, pelo menos a parte que eu li, visto que ela não está completa no site.
Se tive uma eleição dessa no Brasil, eu também acrescentaria: Guns and Roses, AC/DC, Zezé di Camargo, Engenheiros do Hawaii, Kiss, Poison (a imprensa musical batizou de hair rock), Kleiton e Kleidir, Michael Bolton, João Gilberto, Celine Dion, Ilya Kuriaque and the Valderramas, Meninas Cantoras de Petrópolis, Padre Marcelo Rossi, Type O Negative, Gaúcho da Fronteira, Caetano Veloso, Iron Maiden, Divina Inspiração (grupo de pagode gospel do jogador-mala Marcelinho Carioca) e a lista continua…
Add comment Outubro 15, 2003
