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cultura pop (cinema, música, games) + internet + humor + vídeos

Arquivo para Fevereiro, 2004

Aniversário

Escrito por charles c em Fevereiro 20, 2004


Dois anos. Dia 20 de fevereiro de 2002. Tantas histórias, textos, causos… Mudanças de endereço, de humor, de estilo. “Não penso como normalmente devemos pensar, isto é, articular logicamente raciocínios. Não. Sacudo as idéias de lá pra cá (…), e dessa sacudidela é que, quando me sento para escrever, sai alguma coisa, sempre inesperada.” (Alceu Amoroso Lima)
Novos amigos, reencontros inesperados, mágoas expostas… Momentos tristes, fases alegres. A vida segue.
Porque ter um blog? Segundo Contardo Caligaris, “para que a vida de cada dia tenha a dignidade de uma história contada. Os diários provam que a vida deve valer, ao menos, a tinta necessária para contá-la.”
Ou simplesmente porque é bom escrever. Como afirmou Gabriel García Márquez, “a vida não é o que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para conta-la”.
No final das contas, é como disse Gramsci: “todos somos artistas!” 

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Untitle

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Não vos apoieis sobre os juncos que o vento
agita e não lhes deposite vossa confiança, pois
toda carne é como a erva, e sua glória passa
como a flor dos campos.”

A Imitação de Jesus Cristo

Não faz sentido, simplesmente não faz sentido. Não é comum porque não ocorre todo dia, mas também não é esquisito, estranho. Mas esse é o ideal… Mas quando o ideal não se faz presente… Quando isso se torna corriqueiro, vira normal? Quiçá peça do cotidiano? O normal, então, é o não-normal? “Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.” (Fernando Sabino)

É nessas horas que escuto Radiohead:

“Lamento por nós
Os dinossauros vagam pela Terra
O céu está verde”

(”Where I End and You Begin”)

Mas o pensamento continua turvo, pensa, pensa, pensa e nada… “escrever é uma dádiva humana, eterno acerto de contas com os próprios fantasmas”. (Arthur Dapieve). E há momentos que você não pensa naquilo, mas aquilo fica ocupando seus pensamentos. “os que atravessam o mar mudam de céu, não de alma.” (Horácio)

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"O HOMEM E AS COISAS"

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Quando eu era menino
Olhava para as coisas
Como se sempre as visse
Pela primeira vez.

Agora que estou velho
Sempre olho para elas
Como, ai de mim, se as visse
Pela última vez.
Poema de Manuel Bandeira inédito publicado em “100 Vezes Bandeira”

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A hora de Carolina

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Em outubro, completará 100 anos de morte de Dona Carolina, esposa e presença forte no percurso de Machado de Assis. O Globo traz uma boa matéria sobre o assunto. Transcrevo abaixo um poema do fundador da Academia Brasileira de Letras para a sua amada.

QUANDO ELA FALA

Quando ela fala, parece

Que a voz da brisa se cala;

Talvez um anjo emudece

Quando ela fala.

Meu coração dolorido

As suas mágoas exala.

E volta ao gozo perdido

Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente,

Ao lado dela escutá-la,

Ouvir sua alma inocente

Quando ela fala.

Minh¿alma, já semi-morta,

Conseguira ao céu alçá-la,

Porque o céu abre uma porta

Quando ela fala.

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Music is my radar

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Para quem reclamava que eu andava não falando de música, aqui vão alguns comentários sobre alguns discos que escutei recentemente.
Slideling, de Ian Mcculloch - A voz já não é a mesma, mas a qualidade ainda se faz presente. Em seu mais recente disco solo, o eterno vocalista do Echo and the Bunnymen, se não mantém o mesmo nível da sua banda, pelo menos não faz feio. Para quem gosta do grupo que marcou a década de 80 (e é adorada por Chris Martin, do Coldplay), Mcculloch faz exatamente o som que fazia antigamente. Uns vão dizer que é datado, mas eu não. Até porque é melhor um bom bife requentado do que uma comida nova e insossa. Destaque para as faixas Slideling e She Sings (All My Life).
Kish Kash, Basement Jaxx - Eis o melhor disco de techno do ano passado. Justamente por não ficar preso ao tuntuntun sem vocal que em muitas vezes só serve para camuflar a falta de criatividade. Basement Jaxx faz um som mais palatável, assim como o Chemical Brothers. Destaque para Good Luck (com Lisa Kekaula), Plug It In (Jc Chasez, o carinha do NSync), Living Room e Cish_Cash_(com a eterna musa dos góticos, Siouxsie_Sioux). Para escutar non-stop.
Love Actually - A trilha do filme que é maravilhoso para assistir apaixonado e uma provação para os solitários é bem variada. Tem desde o pop grudento (Too Lost in You, Sugababes), passando por canções deliciosamente bregas (Jump, Pointer Sisters), clássicos (Both Sides Now, de Joni Mitchell e God Only Knows, Beach Boys) até as babas desnecessárias (Wherever You Will Go, The Calling). A minha predileta? Here with Me, da Dido.
Talkie Walkie, Air - Disco bacana do duo francês de música eletrônica. Se achou o último álbum deles (10,000 Hz Legend) esquisitão demais, esse é bem mais pop, vide Moon Safari. Eu recomendo tudo deles.
Quelqu’un M’a Dit, Carla Bruni - Disco de ex-modelo italiana que canta em francês? As credencias não são nada boas, né? Mas o disco é bom. A moça tem talento, faz um pop adulto, tanto é que compõe para outros também.
Liquid Skin, Gomez - Disco de 1999 desse grupo que de latino só tem o nome. A banda faz um som bem indie. Um quê de acústico aliado a uma verve bem melancólica (se gosta de Wilco, essa é a sua praia). Vale a pena. Ressalta-se a faixa Devil Will Ride.
Lost Dogs, Pearl Jam - Esse é, com certeza, o disco que tenho escutado mais. Trata-se de uma coletânea de lados b da banda. Os destaques são vários: Yellow Ledbetter, Let me sleep etc. Mas “a” música é Footsteps. Numa resenha do disco No Code, a revista Rolling Stone afirmou que Eddie Vedder cantava “como se estivesse confessando seus pecados, numa conversa direta com deus”. Quando você escuta essa música, Footsteps, fica claro o crítico quis dizer. Só de escutar os versos I did a what I had to do / If there was a reason, it was you você fica condoído. Trata-se da canção perfeita para momentos em que você se rende à autocomiseração… Enfim, sublime.

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Pop Art

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Keith Haring X Andy Warhol? Andy Warhol e Keith Haring.

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Pobres monarcas sem sapatos

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Nothing ever lasts forever

Everybody wants to rule the world”

(Everybody Wants to Rule the World, Tears for Fears)

 

Vivemos uma época de pequenos ditadores, de sanguinários vassalos de diminutas localidades. Nunca o “eu” esteve tão forte e o coletivo tão diminuto. O egoísmo atual deixaria Narciso surpreso.
Cada vez mais pensamos no próprio umbigo, deixando para o outro um papel secundário, muitas vezes de subserviência. Criticamos a megalomania de líderes como Bush, mas cometemos atos violentos em nossos reinos privados.
Quantos podem se orgulhar de serem bom chefes? Que são bons comandantes para os seus subalternos? Isso muitas vezes depois de terem ocupado cargos inferiores, de terem criticado a forma autoritária dos superiores, mas quando chegam ao poder… Porque? Porque tem gente que pensa que mandar é ser duro. Tais pessoas nunca saberão a diferença entre ser líder e ser chefe.
É como minha avó falava: “quer conhecer mesmo o caráter de uma pessoa? Dê dinheiro e poder a ela”. O pior é que mesmo sem grandes poderes, todos querem mandar. Ou mandam, mesmo não existindo a concordância do outro.
Essa predominância do “eu” ocorre também nas relações pessoais. Quantos são bons parceiros, se doam de forma altruísta? Muito poucos. A maioria quer ser amada, não amar. Quando algo sai errado, logo relacionamentos são desmanchados. Porque? Porque o eu é mais forte que o nós. Não há porque se esforçar se eu sou mais importante que o coletivo. As relações amorosas viraram troca, não doação. Pior: muitas vezes trocas injustas.
Talvez seja reflexo das relações familiares, da geração de pais que criou a contra-cultura, que lutou pelas liberdades individuais. Sem saber como lidar com o controle dos filhos, acabam não cerceando nada, não sabem impor limites. Resultado: criaram uma geração de pessoas mimadas, que culminaram em adultos ditadores.
Até em sociedades pautadas pelo respeito do outro, dos mais velhos, isso está mitigando. Na China, com a política do Governo de incentivar famílias a terem apenas um filho, está morrendo a cultura dos tios, primos… Vi, inclusive, uma entrevista de um senhor falando que seu neto não respeitava os pais, os mais velhos, “só pensava em si”.
Enfim, podemos até ser ditadores de reinos próprios mas, roubando uma frase de Pablo Neruda, que são “governados por pobres monarcas sem sapatos”.

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Objetos elementares de Noll

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Mínimos, múltiplos, comuns, de João Gilberto Noll. W11 Editores -Selo Francis, 478 pgs. R$ 56
Uma maneira precária de encarar “Mínimos, múltiplos, comuns” é considerar o livro uma reunião de romances minúsculos, que não chegam a passar, cada um, das vinte linhas. Já Noll prefere chamá-los de “instantes ficcionais”, como se fossem histórias captadas no ar, por uma rede, ou tela. [leia mais]

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Hair

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

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Mais

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

E há mais Woody Allen para ser visto. Recomendo todos mas “Manhattan” e “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” são obras-primas. O segundo é um dos filmes mais engraçados que já vi.

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Freak Show

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

Há acontecimentos diante dos quais a única reação possível é implorar: “Por favor, desaconteçam!”. (Roberto Pompeu de Toledo)

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Who am I?

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


E ouviu tudo que ela dizia. Aliás, sempre acatava o conselho de todos. E, de tanto escutar o conselho dos outros, acabou virando outro. Agora, sente uma saudade danada dele mesmo. “…No espelho há outro que está à espreita” (Jorge Luis Borges)

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Dicas

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Já viram isso?
***
Um passeio pelo planeta vermelho.
***
Misture um site no outro para ver no que dá. É só clicar aqui.

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Poema

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Cacaso

Trago comigo um retrato
que me carrega com ele bem antes
de o possuir bem depois de o ter perdido.

Toda felicidade é memória e projeto.

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Gotas que afogam…

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Certa vez, o poeta Saint-John Perse afirmou que, devido à chuva, todas as coisas parecerem “o lado avesso de um sonho.” É verdade. Fortaleza se transforma num caos… o que leva a outro ponto.
“Sol dos insones! Ó astro de melancolia!
Arde teu raio em pranto, longe a tremular,
E expões a treva que não podes dissipar:
Que semelhante és à lembrança da alegria!”

(Sol dos Insones, Lord Byron)
No livro Desonra, de J.M. Coetzee, uma personagem afirma que, quando tudo falha, filosofe. O pior é que sou ruim em filosofar.

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Loas a um amigo

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Pensar poeticamente é se atrever ao pré-dito do pensamento (…), permitindo-lhe se apresentar nas palavras.” (Alberto Pucheu).

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Luto oficial

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Esse blog está de luto porque ela morreu. Ela, a autora de poemas deliciosos, que já coloquei por aqui. Ela, a autora de frases como essa: “Eu sei que sou o maior poeta do país!”. Vai fazer falta.

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Se

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

Rudyard Kipling
Tradução: Guilherme de Almeida

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti, quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto, achares uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares;
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais nem pretensioso;

Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
De sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
A dar o que for que neles ainda existe;
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste”!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
E, entre reis, não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra, com tudo o que existe no mundo,
E - o que é mais - serás um Homem, ó meu filho!

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Pensamento

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Os leitores são umas putas, amam-nos e depois deixam-nos.” (António Lobo Antunes)

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Poesia numa hora dessas?

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

Amo, amas
Ruben Dário

Amar, amar, amar, amar sempre, com todo
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol escuro do lodo:
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo,
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!

Meu amor
Eugenio Montejo

Em outro corpo vai meu amor por esta rua,
sinto seus passos embaixo da chuva,
caminhando, sonhando, como em mim já faz tempo…
Há ecos de minha voz em seus sussurros
posso reconhecê-los.
Tem agora uma idade que era a minha,
uma lâmpada que se acende ao nos encontrarmos.
Meu amor que se embeleza com o mar das horas,
meu amor no terraço de um café
com um hibisco branco entre as mãos,
vestida à antiga do novo milênio.
Meu amor que seguirá quando me for,
com outro riso e outros olhos,
como uma chama que deu um salto entre duas velas
e ficou iluminando o azul da Terra.

Amor?
Ricardo Miró

Uma vaga inquietude; um misterioso
temor; como um feliz pressentimento;
um íntimo e reservado tormento;
uma pena que acaba em alvoroço
o sufocante nó de um soluço
perene na garganta; o sentimento
de uma dor que se acerca; o pensamento
cheio de luz, de júbilo, de gozo;
uma contradição funda e escura
que me enche a vida de amargura,
que mata toda luz e toda idéia,
que turba toda paz e toda alegria;
porém… senhor, que sabes minha agonia:
se tudo isso é amor, bendito seja!

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TRECHO

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


“O profeta vivo dentro de uma cova (…) incorporando à sua experiência acontecimentos que, lembrados e relatados, deviam propriamente ser postos na 3ª pessoa. Mas que queremos dizer com esse “propriamente’? Será o eu de uma pessoa uma coisa aprisionada dentro de si mesma, rigorosamente enclausurada dentro dos limites da carne e do tempo? Acaso muito dos elementos que o constituem não pertencem a um mundo na sua frente e fora dele? A idéia de que cada pessoa é ela própria e não pode ser outra não será (…) uma convenção que arbitrariamente deixa de levar em conta as transições que ligam a consciência individual à geral?”

WALY SALOMÃO,
em “Me Segura Qu’Eu Vou Dar um Troço”, livro que está sendo relançado

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A POPularização da palavra POP

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

I hate rock ‘n’ roll
And all these people with nothing to show
I hate rock ‘n’ roll
I hate it cause its fucks with my soul

(I Hate Rock’n'Roll, Jesus and Mary Chain)

You’re looking for the one
But you know you’re somewhere else instead
You want to be the song
Be the song that you hear in your head

(Discotheque, U2)

“Please don’t put your life in the hands
Of a rock and roll band
Who’ll throw it all away
I’m gonna start a revolution from my bed
‘Cuz you said the brains I had went to my head”

(Don’t Look Back In Anger, Oasis)

A POPularização da palavra POP
Houve um tempo que a palavra pop só designava o que não tinha consistência. Até pela sua origem (de pipoca em inglês, popcorn), não havia como ser diferente. Tudo que era consumido em larga escala e era muito palatável recebia o selo de “produto pop”. Ou seja, nada muito abonador. Por isso, um artista ser considerado pop era o atestado que sua obra não tinha valor artístico.

Com o tempo, artistas conceituados começaram a flertar mais descaradamente com a “cultura das massas”, aglutinando a suas obras elementos pop. Das artes plásticas (Andy Wahol) à música (Beatles) a mistura cada vez mais era presente. Os puristas ainda questionavam se isso seria arte ou apenas entretenimento. Todavia, a semente da dúvida já estava plantada: é ou não é?

Atualmente, até obras mais rebuscadas são consideradas pop. Já se fala hoje em pop culture (e muitas vezes sem traço de ironia na expressão). Dessa forma, se joga no mesmo balaio de Britney Spears a Radiohead.

Sem mencionar na elevação de certas mídias como TV e quadrinhos ao patamar de produtos de qualidade. O seriado “Os Simpsons”, por exemplo, antes seria tratado apenas como um lixo televisivo. Hoje, já é considerado um clássico.

Na literatura, um dos pólos menos afeitos a transformações como essas, também se pode notar a mudança. Antes, escritores como Nick Hornby não teriam fama alguma. Hoje, não apenas são best sellers como recebem boas resenhas.

O outrora gênero musical destinado apenas ao mundo jovem, o rock atualmente é encarado com seriedade. Para o cineasta Win Wenders “Só o rock’n'roll consegue ser tão direto quanto o cinema como forma de expressão. Vejo alguns de meus contemporâneos que trabalham neste campo, como Bono e Nick Cave, como verdadeiros poetas. A única existência contemporânea de poesia que consigo enxergar está no rock’n'roll.”

Por que isso está acontecendo? O escritor inglês Hanif Kureishi deu um depoimento que talvez lance luz sobre a resposta: “Quando eu cresci em um subúrbio da Inglaterra nos anos 60, o pop era muito libertador para meus colegas de geração. Era uma forma pela qual pessoas comuns, sem educação, podiam ser criativas, viver vidas que não as que esperavam de nós, como caixas de banco. Eu e meus amigos então nos vestíamos de forma escandalosa, tomávamos drogas, tínhamos grande liberdade sexual, trocávamos discos.”

Para o jornalista Álvaro Pereira Júnior, “O pop, filho caçula da indústria cultural, tem como objetivo último levar prazer ao público. É sob esse prisma que ele é julgado. Fez sucesso, beleza. Não fez, um abraço, melhor sorte da próxima vez.”

De certa forma, o ranço elitista vai arrefecendo. Entretanto, é bom ir devagar com o andor. Há artistas banais e outros que são banalizados (pelo sucesso). Por isso, não é muito prudente denominar da mesma forma artistas tão díspares quanto R.E.M. e Backstreet Boys. Todavia, a pop culture veio para ficar.

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O segredo da vida

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

A fé é cega. A fé cega.
[nada contra ninguém, cada um pensa o que lhe convém. Mas são as conclusões que se pode ter depois de assistir "21 Gramas" e "Encantadora de Baleias". Por sinal, ótimos filmes]

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Descobertas extraordinárias

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Prosa, poesia… Atualmente, a segunda leva vantagem no meu cotidiano. E vou “consumindo” com fome. Recentemente, descobri um poeta que não tem notoriedade, mas que tem conteúdo (é mais fácil ocorrer o contrário). Trata-se de Fabricio Carpinejar. Já publicou quatro livros (visita o site dele, há alguns textos por lá) e mantém um blog que é… foda. Alguns trechos que pincelei do autor:

Envelheci,
tenho muita infância pela frente
.”

Vou te extraviando no ato de nomear.
Melhor seria recuar no silêncio
“.

COMPRE, LEIA, DIVULGUE!

Frase do dia
O Grande amigo não é aquele que vem separar a briga, mas sim aquele que chega dando a voadora.” (Chuck Norris)
[nota redação: pelo grande número de pessoas que me enviaram essa frase, eu posso dizer que muitos "dariam" voadoras por mim]

Põe-sia

Então é isto que chamam poesia?

Uma
palavra
e
outra
por
cima?

Às vezes com alguma rima?
Exibindo eloqüentes estilos?
Ou no último verso dirá:
“Fugir da regra também v

a

l

e

!”
[daqui]

Para Amanda
Vi essa frase e me lembrei de você. “A claridade não se repete. A vida estala uma única vez.” (Fabricio Carpinejar). Pense nisso.

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Soneto amoroso definindo o amor

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

Francisco de Quevedo

É gelo abrasador, é fogo gelado,
é ferida que dói e não se sente,
é um sonhado bem, um mal presente,
é um breve descanso muito cansado;

é um descuido que nos dá cuidado,
um covarde, com nome de valente,
um andar solitário entre a gente,
um amar somente ser amado;

é uma liberdade encarcerada,
que dura até o derradeiro paroxismo,
enfermidade que cresce se é curada.

Este é a criança Amor, este é seu abismo.
Olha qual amizade terá com nada
o que em tudo é contrário de si mesmo!

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Claquete

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Encontros e Desencontros

Como um dos críticos da Folha afirmou, o título original do filme (”Lost in Translation”) por ironia (involuntária), acabou virando outra coisa aqui no Brasil (como sempre). É um filme de humor seco (as personagens não riem tanto, mas há muita piada). Há também a parte séria, que permeia todo o filme, mas que vai ganhando cores mais nítidas com o transcorrer da película.
O filme é divertido, tem boas atuações mas… Isso tudo já foi dito, prefiro tratar de algo que não foi avaliado ainda. Julgo que sua história é calcada em uma inverossimilhança. Tanto a personagem masculina quanto a feminina estão imersos em meios lascivos, em que a tríade “sexo, drogas e rock and roll” está no seu cerne. Ele vive no mundo do cinema. Ela é mulher de um fotógrafo. Ou seja, dois meios que primam pelos excessos, em que é fácil se entregar aos prazeres primários. Um meio promíscuo, enfim.
Não teria porque, então, eles serem tão reticentes ao contato físico, a um caso amoroso. Os olhares entregavam o que sentiam, ambos eram cúmplices em tudo, a música que cada um escolheu no karaokê era bem explícita sobre o afeto que nutriam…
O não-dizer, muito incensado por todos como a grande qualidade do filme, não se justifica. Ainda mais porque ambos estavam em relacionamentos problemáticos. Teria sentido se fossem pessoas fora desse mundo.Por exemplo, do meio acadêmico, ou uma pessoa “simples” (caso do filme “As Pontes de Madison”).
Alguém pode dizer que estou trabalhando com estereótipos. Tal observação não cabe, visto que o filme mostra, pelo menos no caso de Bob, que ele se encaixa sim num estereótipo (quando surge uma oportunidade de traição, ela é realizada). Poderia ser dito também que o que ele sente por ela é totalmente diferente. Retruco que, mesmo sendo um sentimento diferente, em que ele poderia querer zelar por ela ou que por medo dela não sentir o mesmo ele não agisse, não faz muito sentido, visto que eles partilharam da mesma cama.
Apesar disso, trata-se de um bom filme, e você acaba gostando muito mais porque as personagens passam autenticidade - você acredita, torce, sofre - mesmo elas sendo calcadas numa incongruência narrativa. Por que? Porque a maioria de nós também já esteve em uma situação parecida, mas por medo acabamos não revelando nossos sentimentos. “Se tivesse feito diferente, poderia estar bem melhor”. Esse “se” é torturante.
PS - A trilha do filme é muito boa, mas ficou faltando “Fuck the Pain Away”, da Peaches.
PS2 - “Just Like Honey”, do Jesus and Mary Chain, é uma música e tanto, mas a canção desse filme que não sai da minha cabeça é “(What’s so Funny ’bout) Peace, Love and Understanding”, do Elvis Costello. Aliás, o último disco dele é bem “classudo”.

A Escola do Rock
Eis um filme simpático. Mas entenda como simpático o que a palavra realmente quer dizer, e não quando a usamos como eufemismo para uma pessoa feia (quando argüidos sobre os dotes físicos dela respondemos que ela é “simpática”).
Apesar de ser um filme feito com crianças, ele não se destina a esse público. As personagens carismáticas são muitas (nada mais normal num filme com crianças). Chama atenção o baterista punk e o garotinho gay, que aparece pouco, mas que “rouba” a cena toda vez que está na tela.
O roteiro sabe tratar bem assuntos antigos (por vezes desgastados). Mas isso tudo não teria a mesma eficácia se o ator principal não fosse Jack Black (o roteiro foi escrito para ele, aliás). Black - que faz parte da banda Tenacious D - sabe manejar bem os trejeitos faciais, suas gagues visuais são inteligentes e não descambam para o humor físico repetitivo.
No comando, o “alternativo” Richard Linklater, diretor de bons filmes como “Waking Life” e “Antes do Amanhecer”.
Para quem gosta de rock, é um prato cheio. E talvez esse seja o grande senão do filme para alguns. Como “Alta Fidelidade”, se você não acompanhar com afinco a cena musical, irá perder várias piadas, como a referência aos Sex Pistols (que duraram pouco, marcaram a história do rock e não ganharam nada), a menção a Enya (que, para um roqueiro, está no mesmo saco que música clássica, no caso, tida como coisa lenta e chata), quando o professor entrega ao aluno um disco do Yes e diz que eles mexeram com a música clássica (em essência, o rock progressivo), a referência a Stevie Nicks, a problemática ex-vocalista do Fleetwood Mac (considerada a banda que inaugurou o “pop adulto” nos anos 70), a menção ao empresário David Geffen, o bem-sucedido empresário de música que depois de manter durante muito tempo um selo que tinha o seu nome, montou com Spielberg a empresa Dreamworks. Há ainda o problema da tradução. Em um momento, o professor desdenha de uma banda, afirmando que eles não são roqueiros, mas sim “posers”. E isso perde todo o sentido na tradução.
PS - O final - quando os letreiros sobem - é tão inventivo quanto o fim de “Curtindo a Vida Adoidado”. Ninguém sai do cinema.

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Bom carnaval para todos

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Eu vou para Guaramiranga, no que será o meu primeiro carnaval não-folião, no frio, escutando blues e jazz etc. Para quem vai ficar em Fortaleza, o jornal O Povo selecionou algumas dicas para vocês. Aliás, o site do jornal tem um bom canal sobre o carnaval desse ano.

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And the Oscar goes to… Lord of the Rings

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004


Tudo que é tosco, enviam para mim. Certo dia, um amigo meu estava procurando imagens do filme “Senhor dos Anéis” no Google. Entre as imagens de praxe, também apareceu isso. É tão ruim que é engraçado. Mas vá por sua conta e risco (não veja no trabalho!). Ah, também apareceu essa imagem. Definitivamente, não sei qual o critério do Google, não.

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Pergunta

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Por que eu nasci, se não era para sempre?”
(do filme “Vou para Casa”, de Manoel de Oliveira)

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Tudo

Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

bei dao

tudo é fado
tudo é nuvem
tudo é começo sem fim
tudo é busca que, ao nascer, exicia-se
toda alegria deve sorrisos
todo pesar deve lágrimas
toda língua é repetir-se
todo contato, primeiro encontro
todo amor, no coração
todo o passado, num sono
toda felicidade, com notas de rodapé
toda fé, com gemidos
todo rasgo tem uma súbita calma
todos os mortos, um eco demorado

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