O homem sem-alma
Escrito por charles c em Fevereiro 15, 2004

“Quando ficamos surdos/ escutamos tudo, menos o silêncio”
(Fabrício Carpinejar)
Era um cego revoltado. Tudo porque não aceitava a premissa que os olhos seriam a janela da alma. Ele, cristão convicto, não concorda com isso. Afinal, ia às missas todos os domingos. “Eu também tenho alma”, ele resmungava. Toda vez que escutava alguém proferir a fatídica frase, uma discussão começava. Com o objetivo de negar o lugar-comum, acaba reforçando a sua “pretensa” veracidade. “Está vendo? Isso é tão verdade que um sujeito avaro como esse não deve ter alma”, diziam seus detratores. Quando ele morreu, não conseguiu provar que tinha um corpo celeste. Pior: ficou conhecido como o homem sem-alma.
