Soneto amoroso definindo o amor

Fevereiro 15, 2004

Francisco de Quevedo

É gelo abrasador, é fogo gelado,
é ferida que dói e não se sente,
é um sonhado bem, um mal presente,
é um breve descanso muito cansado;

é um descuido que nos dá cuidado,
um covarde, com nome de valente,
um andar solitário entre a gente,
um amar somente ser amado;

é uma liberdade encarcerada,
que dura até o derradeiro paroxismo,
enfermidade que cresce se é curada.

Este é a criança Amor, este é seu abismo.
Olha qual amizade terá com nada
o que em tudo é contrário de si mesmo!

Entry Filed under: Poema. .

1 Comment Add your own

  • 1. AGIL  |  Abril 25, 2008 at 11:46 am

    Existe um soneto do Camões, sem dúvida anterior ao de Quevedo, que toca os mesmos tópicos petrarquistas:

    Amor é um fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói e não se sente;
    é um contentamento descontente;
    é dor que desatina sem doer.
    etc.

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