Restos de un incendio, Migala
Com disse Arnaldo Baptista, Give enough a chance. Posto isso, Restos de un Incendio, da banda espanhola Migala, não é nenhuma obra-prima. É apenas um disco mediano, em tempos de extremismo exacerbado, em que tudo é maravilhoso ou péssimo.
Na verdade, o álbum não começa bem. La cancion de gurb é desnecessária e longa. As coisas começam a mudar com El pasado diciembre, uma canção de levada folk. Em seguida, vem Noche desde un Tren, que lembra um recital de poesia. O mesmo ocorre em El Retraso e nas demais faixas. Aquel Incendio parece querer outras expectativas, mas elas são quebradas pela desalentadora Un Punado de Coincidências. El Ultimo Devaneo e Tiempos de Desastre melhoram a cadência. O álbum acaba com Instrucciones para dar Cuerda a un Reloj (de título auto-explicativo).
O álbum funciona como a canção I’m Open, do Pearl Jam: uma voz não canta, mas sim declama versos, no que é acompanhada pela música, que só faz realçar a tristeza do que é dito. É como uma ode à melancolia, mas de forma reflexiva. Um paralelo poderia ser feito com a banda Mogwai, mas sem os experimentalismos.
Vale a pena.
Add comment Março 27, 2005







