“De Retour Dans Nos Criques”, Kaolin
Qual o tipo de som que você faz? “Mistura” ou “algo novo”. Hoje em dia, depois de escutar várias entrevistas de bandas, Creio que a maioria dos integrantes não quer ser identificado como o novo Nirvana, The Clash, New Order etc. Não, todos querem ser autorias, mesmo tendo ligações fortes – e bem nítidas – em relação a outros grupos ou vertentes musicais. Muitas vezes isso soa até como uma agressão à criatividade das bandas.
E aí chegamos a descrições do som de bandas como proto-disco-funk-punk-electro (em que prateleira de uma loja de disco esse álbum vai ficar?). É compreensível que todos queiram ter um som bem pessoal, criativo. Mas nem sempre isso ocorre. E por que não reciclar sons anteriores? Por que encarar influências musicais como algo negativo? Até porque nem sempre uma idéia original é uma boa idéia. Como sempre digo, prefiro uma comida requentada com gosto a um prato feito na hora sem sabor.
Evidentemente, não me posiciono contra a criatividade. Só acho que influências, ou mesmo comparações, não são demérito.
Posto isso, o disco “De Retour Dans Nos Criques”, do grupo francês Kaolin, tem várias ligações com outros sons. E nem por isso perde em qualidade. É ótimo.
“Loin de l’île” começa lenta e fica mais rápida depois; o mesmo ocorre com “Plages et Gazole” (essa era a matriz do grunge, sendo que aqui numa menor intensidade). Falando em grunge… O começo de “Vide et Silence”, por exemplo, lembra “Black”?, do Pearl Jam. “Ne dis rien” começa com uma parte instrumental interessante. Depois, entram distorções ao estilo Sonic Youth. “Dérangé” remete ao início das experimentações do Radiohead. Destaque também para a bela e lenta “Cette Roche” e “C’est la vie”, em que as guitarras pedem atenção.
Add comment Junho 1, 2005







