Archive for Agosto, 2005

Nine Inch Nails - With Teeth

Às vezes, olhar com cautela o que é mostrado é a melhor solução. Todavia, o olhar de certas pessoas parece concentrar toda a sapiência. A eles, caberia trabalhar o que é visto, ao ponto de, com interpretações visionárias, criar um novo ponto de vista sobre algo. Muitas vezes até recriando, a partir de elucubrações, o que desafia a retina. Esse papel caberia a arte, mas foi usurpado pela crítica.

Em essência, isso carece de qualidade, posto que a linguagem jornalística teima em ser objetiva. Pior: atualmente, faltam informações, e muito do que é publicado se distancia da realidade.

Posto isso, não acredite na maioria das bobagens que estão sendo publicadas a despeito do Nine Inch Nails, que está em evidência por causa do lançamento de “With Teeth”.

Falou-se bastante que o trabalho anterior, “The Fragile”, foi complicado, recebeu críticas ruins, vendeu pouco etc. Ledo engano. O álbum duplo ficou em primeiro lugar nas paradas, mas não vendeu muito pelo simples fato de a banda nunca ter sido uma grande vendedora de disco. Mas, como ocorre com algumas bandas, conseguiu formar um número considerável de seguidores (que garantem vendas constantes). O disco também teria sido mal recebido. Pois bem, foi eleito o álbum do ano, pela revista americana Spin, em 1999.

Voltando para 2005. Algo recorrente foi tratar o novo disco como uma espécie de redenção, depois do malogro anterior. É aí que eu entro nessa história. “The Fragile” é um discaço. É um daqueles álbuns que o conceito não soa como balela. Há uma ligação entre as músicas. Por outro lado, esse conceito não esmaga as canções: há diversidade e pluralidade de temas.

Já “With Teeth” é um disco mediano. Em que se pese nessa afirmação o fato de que qualquer coisa mediana produzida pelo Nine Inch Nails ser bem melhor do que a maioria do que é feito atualmente. Mas, comparado aos trabalhos anteriores, soa menor.

Talvez seja um mal do mp3, mas a força do disco está nos singles, em canções isoladas, e não no todo. Canções excelentes como “The Hand That Feeds” e “Only” convivem com outras não tão interessantes, o que resulta num trabalho não muito coeso, o que sempre foi marca do Nine Inch Nails.

Esperava mais.

PS – A banda vem ao Brasil. Toca em São Paulo e no Rio em 26 e 27 de novembro, respectivamente.


Add comment Agosto 21, 2005

Gastas, porém palavras

Art Spiegelman

“Toda palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada”. Assim disse Samuel Beckett. Curiosa frase, ainda mais para alguém que vive de palavras como eu. Uma escrita manufaturada, é bem verdade, mas ainda sim centrada na palavra.

Encarado de tal maneira, minha atividade bloguística poderia ser vista como uma mácula potencializada pelo tempo. Afinal, são mais de quatro anos. E a não existência desse blogue seria um silêncio forjado não pela falta do que escrever, mas pela censura do que poderia ser revelado.

Enfim, uma ausência que seria extremamente histriônica. Esse tempo de ausência poderia ser encarado apenas como uma trégua ao nada. Novamente, lhes ofereço mais um pouco de alguma coisa.

Um filme simpático

Título bobo, é bem verdade. “Amor em Jogo” mereceria um nome mais interessante. Entretanto, o filme é bem melhor: é simples, é leve, é divertido. Certamente, já se viu tudo isso antes. Até melhor. Todavia, é bem acima das comédias românticas recentes. O título em português fala de amor e jogo. Vá por mim, o amor sai ganhando nessa estória. Detalhe importante é que o filme é baseado num livro de Nick Hornby (o mesmo de Alta Fidelidade). Aliás, o mesmo livro já havia originado um outro título, “A Febre da Bola”, em 1997. Fiquei interessado em ver esse também.

Uma obra necessária

Judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos. Já os poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Há mais: os franceses são sapos. Em momentos de sofrimento, todos são humanos. Eis “Maus”, uma história em quadrinhos de Art Spiegelman, que narra a história de seu pai durante a segunda guerra mundial. Como já falei sobre isso antes, serei curto. Leia. É necessário.

Trecho

“Enfim, é banal ler, em textos de auto-ajuda, que, à força de desejar, a gente consegue: quem não larga o osso é recompensado um dia. Aviso: não é verdade. [...] A intensidade do desejo não leva necessariamente ao sucesso.
Mesmo assim, há uma boa razão para desejar com força: quase sempre, quem não se atreve a querer “doidamente” sofre da única culpa que a gente nunca se perdoa, a culpa de não ter ousado viver segundo nosso desejo.” (Contardo Calligaris)

Enquanto isso…

“You’re Beautiful”, James Blunt / “Mr. Brightside”, Killers / “Minority”, Green Day / “Only”, Nine Inch Nails / “Jetstream”, New Order / “Nowhere Girl”, B Movie / “Every Beat of the Heart”, Railway Children / “Sunday Morning”, Maroon 5.


Add comment Agosto 15, 2005


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