Archive for Outubro, 2005

Fiona Apple – Extraordinary Machine - 2005

Os anos 90 não foram apenas a década do grunge, do techno, britpop etc. O período foi marcado também pelo grande sucesso de mulheres no cenário musical, algo sem comparação com nenhuma década anterior. Vale ressaltar que o sucesso sempre foi muito mais comercial que artístico, com várias cantoras vendendo mais de 10 milhões de cópias apenas nos EUA. Todavia, mesmo sem deixar grandes rompantes criativos, é necessário destacar que existia qualidade na produção da época, mesmo nas grandes vendedoras (vide Alanis Morissette, Jewel, Sheryl Crow, Sarah Maclachlan etc.). A revista Rolling Stone chegou a publicar uma edição sobre isso, com os nomes mais notórios do “movimento�?. O sucesso era tão grande que foi criado nos EUA um festival itinerante apenas com a apresentação de mulheres, o Lilith Fair.

Com o grande destaque obtido pelas mulheres, um fato similar ao alternative rock se repetiu: na ânsia das gravadoras de lançar artistas e aproveitar a “tendência�?, artistas que não teriam chance de sucesso também foram alçados à fama. Elas não tinham um estilo esquisito – nada a ver com Hermeto Pascoal – mas a temática das canções era pesada. É o caso das artistas Tori Amos e Fiona Apple, que optaram por um pop confessional com a revelação de aspectos trágicos de suas vidas (como o fato de ambas terem sido estupradas).

Mas, enquanto Tori Amos fazia o estilo contido (não confundir com timidez), Fiona Apple sempre foi afeita a declarações polêmicas (como o discurso que fez ao receber o prêmio de revelação do MTV Awards). Mas, no caso dela, isso nunca serviu para eclipsar sua arte. Suas músicas são boas, o que pode ser comprovado pelos dois álbuns anteriores (“Tidal” e o de nome gigantesco).

Agora, ela lança mais um, “Extraordinary Machine”. Aqui, a crueza dos temas (sempre pessoais) é realçada pela angelical beleza da cantora, o que torna tudo mais estranho. Todavia, aqui não há candidatos a hits como nos discos anteriores, como “Criminal” ou “Fast As You Can”. Sofrimento, um piano e uma voz angelical, porém potente, são suficientes para criar boas canções. Recado válido para os grupos que buscam colocar inúmeros recursos em suas músicas. No final das contas, o que conta é a emoção transmitida.


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