Archive for Dezembro, 2005

O show de rock

Foi um período intenso de preparação: dez anos. A trajetória da banda é um pouco maior, mas minha admiração data de 1995. De lá para cá, a rotina de fã. Na verdade, antigamente o processo era bem mais arcaico. Se a banda era antiga, a solução era andar pelo Centro em busca de revistas antigas sobre o grupo. Internet? Que internet? A troca de informações era menor, visto que havia menos meios de acessá-la. Mas a admiração já era grande, e só foi crescendo com o tempo.

Para quem não admira rock, a coisa toda pode ser tola. Pior: muitos teimam em dizer que o gênero é coisa de adolescente. Seja como for, estar num estádio, com mais de 40 mil pessoas que tem a mesma admiração que você diante daquele artista, é uma emoção indescritível. Faz com que até o show de abertura passe despercebido. O encontro principal não pode tardar, posto que as canções já fazem parte da sua vida, mesmo tendo sido criadas em contextos totalmente distintos. Muitas vezes, a identificação com o que é dito é mais real para um fã de uma banda de rock do que conversar com seus pares.

E eis que o show começa. Estranho ser é o fã de rock. Aquele que fica imensamente feliz em escutar uma música em especial, mesmo que o teor da canção seja triste. O sorriso fica lá, solto. Tolice, mas se paga tão caro para, muitas vezes, nas canções mais especiais, cantar a música com os olhos fechados.

“Meu deus, como os shows de rock são tolos, principalmente o momento do isqueiro nas canções lentas”. Que nada, no momento que você está lá, faz todo o sentido. Bater palmas, repetir frases, atender ao pedido da banda de cantar certos trechos das músicas… A maioria segue, vai levando a canção.

Ah, fã de rock. Ainda mais dessa banda em específico, que tantas frentes têm em outros campos, o que resulta em grande admiração em amplos sentidos. Que, mesmo ligada a uma vertente do rock que privilegia a tristeza, trouxe a tantos alegria. Soa tolo? Pode ser, mas a força que uma canção pode ter na vida de uma pessoa é impressionante.

Ao olhar de um estranho, nada faz menos sentido que ficar junto a tantas pessoas, se espremer, procurar o melhor lugar para o show, tentar desviar das cabeças (mesmo que a melhor visão seja entre orelhas, cabelos longos, gorros etc.) e, no momento do show, cantar com grande intensidade, esquecendo de todos os possíveis problemas. Que, para a história, viram qualidades: “meu, o show foi demais, todo mundo cantando, um coro só, ‘tava cheio o local”.

“Mas que pessoa sem personalidade é o fã de rock”. Muitos com camisas com menções a banda. Sim, porque show de banda é totalmente diferente de show de festival. Num show apenas do artista, todos lá tem o mesmo objetivo, vão cantar todas as músicas, mesmo que seja o lado b de um single.

A tentativa mais prosaica de comunicação da banda, de tentar falar palavras na sua língua, resultam num deslumbre coletivo. Bandeira do seu país? Você, que nem liga para isso no dia-dia, acha lindo. Isso tudo poderia ficar de fora, as forças das canções já fariam o trabalho. Mas fazem parte do todo, e seria estranho não pensar nesse show sem todos esses pormenores.

Texto sentimental? Certos momentos da vida necessitam de emoção em demasia, e razão de menos. 02 de dezembro de 2005. Na platéia, um jovem, dentre tantos, atingia níveis de satisfação incomparáveis, posto que ser fã de rock é uma atividade superlativa. No palco, Pearl Jam.


5 comments Dezembro 16, 2005

Tratamento


As meninas do 02 Neurônio criam um tratamento para curar dores do amor. Segue a receita abaixo:
- No spa, não será permitida a entrada de itens como fotinhos, cartas de amor, bilhetinhos melosos e ursinhos de pelúcia. Temos aparelhos de raio X que encontram até uma fotinho 3×4 malocada numa meia!
- Os enfermeiros estão proibidos de chamar o interno por aquele apelidinho íntimo, como “momô”, “gatinha”, “meu neném”.
- Os enfermeiros não ouvem muito bem e foram recrutados por meio de um convênio com o Instituto dos Surdos do Brasil. Afinal, se nem os amigos nem os parentes querem ouvir a lamentação do interno, por que nós, do spa, teríamos de suportar essa tortura?!
- Para casos de tratamento de choque, o interno ficará trancado numa sala ouvindo músicas tristes que lembram “A Pessoa”, nome técnico do autor do pé-na-bunda.
- Em casos de histeria profunda, os internos receberão chocolate. Muito chocolate.
- Num outro método radical, enfermeiros surdos (mas que não são mudos) declamarão as cartas de amor que o interno escreveu. Os outros internos apontarão a pessoa e rirão na cara dela. Logo ela se dará conta de que escrever bilhetinhos não leva ninguém a lugar nenhum. Só ao nosso spa, claro!
- O spa será tão horrível que, ao sair, os internos evitarão as recaídas. Senão, terão de voltar para o spa do amor, onde ficarão sendo alvos de chacota quando os enfermeiros lerem -em voz alta- o extrato bancário do interno, aquele que revela que ele comprou vários presentes caros para “A Pessoa”. E com cheque pré!!!


Add comment Dezembro 15, 2005

Estrelas se encontram


É meio mórbido, mas curioso: o site do Hollywood Memorial Park (www.forevernet.work.com), onde foram cremadas ou estão enterradas estrelas de Hollywood, como Rudolph Valentino, ícones pop e até gângsters, como Bugsy Siegel. Todos com direito a minidocumentários. Fonte: Netcetera


Add comment Dezembro 15, 2005

Fotógrafo de Guerra

“Se você está fotografando no meio de um conflito, você é uma espécie de negociador da paz, por isso os dirigentes ficam tão incomodados. As fotos fazem as pessoas estarem dentro daquela realidade por alguns instantes; é para isso que existem os fotógrafos.” (James Nachtwey, 54, fotógrafo, tema do documentário “Fotógrafo de Guerra“)


Add comment Dezembro 15, 2005

Cidades Invisíveis | Destino: São Paulo

Quando se viaja, costuma-se fazer comparações entre o local visitado e de onde se vem (“olha, aqui é assim, mas onde moro é de outro jeito”). Mas essa cidade, tamanho seu gigantismo, deixa as pessoas que vieram de cidades bem menores sem a possibilidade de comparação, tamanha a quantidade de situações únicas.

Em uma semana, chama atenção a pluralidade de atividades. Aliás, uma das razões de ir para lá (dois grandes shows em menos de uma semana). Os jornais trazem um guia, toda sexta, destacando o que há de melhor para fazer por lá. E cada guia tem mais de 100 páginas! (esse vai ser a primeira de muitas frases terminadas em exclamação desse texto, posto que são necessários). Mesmo assim, apesar das inúmeras atividades culturais, São Paulo optou também por um bairro-lazer, a Vila Madalena.

Para se divertir, é necessário fazer um plano de trabalho, enumerando rotas e o que visitar, com metas definidas e horários a serem respeitados. Do contrário, a visita à cidade será comparável a olhar pelo espelho de um carro a mais de 100 km/h uma paisagem qualquer.

Para uma cidade que dizem ser fria, São Paulo não veste tal carapuça. Quer dizer, fria é, mas em termos de temperatura. Na verdade, o povo se mostra cortês na maior parte do tempo. Nos shows de rock, clima de comunidade shallon, com pessoas pedindo desculpas ao pisar no seu pé e pedindo com licença para passar por você. E isso no meio de uma multidão de mais de 40 mil pessoas. É verdade que o contato não é tão esfuziante quanto no Nordeste, mas vi vários sorrisos por lá. Tímidos, é bem verdade, mas mesmo assim sorrisos.

Cabelos coloridos, picotados, ao estilo de estrelas do rock… Tudo isso somado com adereços diversos, como os piercings em demasia e nos lugares mais insólitos, o que deixa você com medo de pegar tétano apenas ao tocar em uma pessoa!

E a moda? Quando você se depara, à noite, com pessoas diferentes em cidades pouco afeitas a demonstrarem o único, surge aquela pergunta (“onde essa pessoa exótica vive diariamente que nunca topei com ela?”). São Paulo torna isso banal. Lá, o roto (chique) convive normalmente com o engravatado.

São Paulo também gosta de lhe presentear. Afora os postais gratuitos em todos os locais, você, de tanto andar, pode se deparar com um coffee break. E isso na Pinacoteca!

Grandes paradoxos aguardam quem visita São Paulo. Numa cidade tão urbana, existe o parque do Ibirapuera. Na Avenida Paulista, entrasse no shopping e encontrasse… uma feirinha. No aeroporto, para fazer embarque e desembarque, é necessário andar de… ônibus (e muitas vezes de pé)!

Nessa cidade tão grande, difícil não se sentir em casa, tamanha a quantidade de grupos concentrados em lugares específicos (galeria do rock, bairro Liberdade para os descendentes de asiáticos…). São Paulo também é a cidade dos vários periódicos, muitos de graça. Há “jornalzinho” em quase todos os lugares.

São Paulo também é uma cidade que aceita inúmeros lugares-comuns. O melhor amigo do homem é o cachorro, por exemplo, creio que tenha sido criado por lá, tamanho o número de cães. E que são tratados como iguais, visto que podem passear pelos shoppings.

Para realçar meu estranhamento em relação a Caetano Veloso, nada aconteceu no meu coração quando atravessei o famoso cruzamento.

Findo a semana, fomos embora, mas acho que esse texto não condiz com São Paulo. Visitei a cidade, mas deixei de fazer tantas coisas que não sei se esse texto reflete o que é, realmente, a cidade.

PS – Esse texto, essa viagem e todas as lembranças resultantes do período não seriam possíveis se não tivéssemos sido acolhidos pela minha mais nova amiga de infância, Ticiana. Obrigado por nos aceitar em sua casa, bem como ser uma guia que nos mostrou o melhor da cidade (aí incluímos você).


Add comment Dezembro 11, 2005

Cidades Invisíveis | Destino: São Paulo

Quando se viaja, costuma-se fazer comparações entre o local visitado e de onde se vem (“olha, aqui é assim, mas onde moro é de outro jeito”). Mas essa cidade, tamanho seu gigantismo, deixa as pessoas que vieram de cidades bem menores sem a possibilidade de comparação, tamanha a quantidade de situações únicas.

Em uma semana, chama atenção a pluralidade de atividades. Aliás, uma das razões de ir para lá (dois grandes shows em menos de uma semana). Os jornais trazem um guia, toda sexta, destacando o que há de melhor para fazer por lá. E cada guia tem mais de 100 páginas! (esse vai ser a primeira de muitas frases terminadas em exclamação desse texto, posto que são necessários). Mesmo assim, apesar das inúmeras atividades culturais, São Paulo optou também por um bairro-lazer, a Vila Madalena.

Para se divertir, é necessário fazer um plano de trabalho, enumerando rotas e o que visitar, com metas definidas e horários a serem respeitados. Do contrário, a visita à cidade será comparável a olhar pelo espelho de um carro a mais de 100 km/h uma paisagem qualquer.

Para uma cidade que dizem ser fria, São Paulo não veste tal carapuça. Quer dizer, fria é, mas em termos de temperatura. Na verdade, o povo se mostra cortês na maior parte do tempo. Nos shows de rock, clima de comunidade shallon, com pessoas pedindo desculpas ao pisar no seu pé e pedindo com licença para passar por você. E isso no meio de uma multidão de mais de 40 mil pessoas. É verdade que o contato não é tão esfuziante quanto no Nordeste, mas vi vários sorrisos por lá. Tímidos, é bem verdade, mas mesmo assim sorrisos.

Cabelos coloridos, picotados, ao estilo de estrelas do rock… Tudo isso somado com adereços diversos, como os piercings em demasia e nos lugares mais insólitos, o que deixa você com medo de pegar tétano apenas ao tocar em uma pessoa!

E a moda? Quando você se depara, à noite, com pessoas diferentes em cidades pouco afeitas a demonstrarem o único, surge aquela pergunta (“onde essa pessoa exótica vive diariamente que nunca topei com ela?”). São Paulo torna isso banal. Lá, o roto (chique) convive normalmente com o engravatado.

São Paulo também gosta de lhe presentear. Afora os postais gratuitos em todos os locais, você, de tanto andar, pode se deparar com um coffee break. E isso na Pinacoteca!

Grandes paradoxos aguardam quem visita São Paulo. Numa cidade tão urbana, existe o parque do Ibirapuera. Na Avenida Paulista, entrasse no shopping e encontrasse… uma feirinha. No aeroporto, para fazer embarque e desembarque, é necessário andar de… ônibus (e muitas vezes de pé)!

Nessa cidade tão grande, difícil não se sentir em casa, tamanha a quantidade de grupos concentrados em lugares específicos (galeria do rock, bairro Liberdade para os descendentes de asiáticos…). São Paulo também é a cidade dos vários periódicos, muitos de graça. Há “jornalzinho” em quase todos os lugares.

São Paulo também é uma cidade que aceita inúmeros lugares-comuns. O melhor amigo do homem é o cachorro, por exemplo, creio que tenha sido criado por lá, tamanho o número de cães. E que são tratados como iguais, visto que podem passear pelos shoppings.

Para realçar meu estranhamento em relação a Caetano Veloso, nada aconteceu no meu coração quando atravessei o famoso cruzamento.

Findo a semana, fomos embora, mas acho que esse texto não condiz com São Paulo. Visitei a cidade, mas deixei de fazer tantas coisas que não sei se esse texto reflete o que é, realmente, a cidade.

PS – Esse texto, essa viagem e todas as lembranças resultantes do período não seriam possíveis se não tivéssemos sido acolhidos pela minha mais nova amiga de infância, Ticiana. Obrigado por nos aceitar em sua casa, bem como ser uma guia que nos mostrou o melhor da cidade (aí incluímos você).


8 comments Dezembro 11, 2005

Meu disco (rígido)

Para aonde a música vai? Não estou falando da arte em si, mas do seu suporte físico. Há tempos, principalmente para os fãs de rock, existe a mítica do álbum. Poderia ser um disco conceitual ou apenas um apanhado de músicas boas sem conexão temática entre si, havia ali um produto comercial, mas que almejava ares de arte. Menciono rock em especial porque a relação dos apreciadores de música pop sempre foi mais efêmera. Não existia uma ligação com os discos, mas sim com músicas (ou singles, em outros países).

Com o tempo, evoluía a qualidade do produto (passando por vinil, fita cassete ou CD), mas sempre a música tinha uma conexão “tátil” com os consumidores. Agora, o suporte tornou-se desnecessário com o advento do mp3. Hoje em dia, o disco que todos têm é o mesmo: o disco rígido. Um álbum que prima pela quantidade, não pela qualidade.

Gravar CDs nunca foi tão fácil. Antes, existia todo um fetiche em ficar horas e horas nas lojas de discos. Namoravasse várias horas antes de escolher o título. Muitas vezes, a operação era feita em companhia. Cada amigo compraria um disco de uma banda distinta. Assim, ampliaria a discografia coletiva, essencial para emprestar discos e aumentar o conhecimento musical.

A falta de dinheiro (afinal, viviasse de mesada) também forçava um maior apuro na seleção. Hoje em dia, no afã de sempre ter tudo, discos bons disputam espaço na HD com coisas pífias, e tudo tem de fazer sentido em poucos segundos. Se não soar interessante numa primeira audição, o disco – ou o simulacro dele – fica relegado, ou é sumariamente apagado. Imagine “OK Computer” sem passar por várias audições? Será que, por isso, muita gente acha de cara um disco ruim, mas depois volta atrás e descobre que existe um bom material ali?

Isso quando se baixa o disco inteiro. Curiosos procuram os singles mais quentes, ou que por ventura irão estourar. Pior: o grupo que irá salvar o rock (fenômeno cada vez mais recorrente nas críticas musicais). Muitas vezes, uma boa música serve como convite para a audição das demais faixas de um disco. Todavia, se vai atrás delas procurando mais do mesmo, o que muitas vezes causa descontentamento. É como se todas as músicas do Killers tivessem de ser similares a “Somebody Told Me”. A pluralidade é morta. E assim se vai, sempre atrás de algo mais novo (coincidência com o fato de bandas durarem tão pouco? Alguém pode dizer que sempre foi assim, mas arrisco-me a dizer que nunca foram alardeados tantos nomes que não passaram da síndrome do segundo disco como agora).

Não estou dizendo que gravar CDs é errado (esse texto não é financiado pelos produtores de discos). Até porque gravar faixas avulsas sempre fez parte da rotina de quem gosta de música. Difícil não se identificar com o processo de escolha e a gravação de fitas da personagem principal de Alta Fidelidade. Todavia, a tecnologia potencializou a ação, ao ponto de muitas vezes propiciar a frivolidade. E informação em demasia não quer, necessariamente, significar conhecimento.

Alguém poderia retrucar dizendo que esse texto segue uma linha “como era verde o meu vale”. Pode até ser, mas há diferenças entre escutar um disco ou simplesmente baixar faixas. Claro que nem tudo merece ser comprado, obviamente, mas há discos que merecem uma atenção maior. Há discos que escutei tantas vezes que são, na verdade, “greatest hits” pessoais, como “Up”, do R.E.M.

Além disso, não devemos esquecer a arte gráfica dos trabalhos. Alguém poderia simplesmente falar que você pode baixar o álbum inteiro e também sua capa. Agora, imagine um disco como “Mellow Collie and the Infinity Sadness”, do Smashing Pumpkins, dissociado da arte visual?

Um disco é um produto cultural manufaturado, mas ainda sim artístico. Por mais que adore e aprecie as vantagens de se baixar músicas na web, nem sempre facilidade necessariamente é sinônimo de qualidade. Ou melhor, de apego, palavra que é o cerne de tudo que está nesse texto. Muitas vezes, o que vem fácil, não se dá valor. A tecnologia, nesse caso, deveria servir de suporte para a arte e não ser um fim em si. Do contrário, o contato mais próximo que se tem com a música se perde. Sobra algo similar ao ato de colecionar figurinhas. Quanto mais, melhor.


Add comment Dezembro 4, 2005

Claro que é Rock! – 26/11

São Paulo - Frio, muito frio. Não estou falando das apresentações, mas sim do clima de São Paulo (chegou a 15º C). E engana-se quem acha que isso é conversa de nordestino pouco afeito ao clima paulistano. Mesmo os nativos sofriam com a intensidade do frio. Ademais, havia sempre a ameaça de chover, durante todo o evento. Não choveu (felizmente).

Posto isso, o festival “Claro q é Rock” fez jus ao seu nome. Extremamente roqueiro, distinguiu-se de outros festivais pela coerência de sua escalação. A organização acertou ao optar por dois palcos (quando uma banda terminava seu show em um palco, começa a apresentação no outro, situado no lado oposto). Outro detalhe de fazer gosto foi a pontualidade das apresentações, essencial num festival que contava com mais de 16 bandas. Mas, como nem tudo é perfeito… Filas gigantes para comer e ir ao banheiro eram praxe.

O público estimado foi de 25 mil. Em matéria de estilo, faltou estilo (próprio). A maioria se vestia seguindo dois modelos: Strokes e My Chemical Romance. Todavia, no saldo das camisas de bandas, o Sonic Youth atraiu mais fãs. Vale louvar também a calma do público, muito cortês em todas as apresentações.

Não vi o show do Cachorro Grande. Era muito cedo. A primeira apresentação que vi foi a do Good Charlotte. Foi um show eficiente para o que se propunha. O vocalista da banda buscava sempre a interação com o público, dizendo os lugares comuns de artistas, como louvar as maravilhas do lugar em que está tocando. O final foi o momento de catarse para os fãs, com os hits “I just wanna live”, “Lifestyles of the rich and famous” e “The Chronicles Of Life And Death”.

Em seguida, começa a apresentação do Nação Zumbi. O publico até tenta acompanhar, mas não sabe a maioria das letras. Apesar da qualidade das músicas, empolgação mesmo só no final, quando o grupo toca as canções da época de Chico Science.

Depois, surge o Fantômas. Lixo. Uma espécie de Ermetto Pascoal do rock. A nova banda de Mike Patton só conseguiu atrair com seu barulho os fãs ardorosos. Mas aí o jogo já começa ganho.

Flaming Lips. O melhor show da noite. E show na concepção total da palavra, visto que a banda teve uma preocupação enorme com a parte cênica da apresentação. Foi divertido, interativo. No palco, várias pessoas vestidas de bichos de pelúcia, sem contar com os sois e o ET. A própria banda também estava travestida, menos o vocalista (de terno). Wayne Coyne conseguiu o mais difícil: ganhou, como poucos, a atenção da platéia, mesmo sem sua banda ter hits (o único álbum lançado por aqui saiu há menos de uma semana, com quase três anos de atraso!) e sem ter clipes em destaque na MTV. Mas fez uma apresentação memorável. Destaque para a cover de “Bohemian Rapsody”, do Queen, cantada em uníssono por todos. Outro ponto alto foi a câmera no microfone, que filmava apenas Wayne. (imagem projetada no telão). Destaque também para a bolha, com a qual andou em cima do público. Destaque também para outra cover, dessa vez do Black Sabath, “War Pigs”, entoada em homenagem a Bush. Destaque também para as canções próprias da banda, como “Fight Test”, “Yoshimi Battles the Pink Robots”, “Do You Realize”, “Race For The Prize” e “She Don’t Use Jelly”. Destaque também para o teclado de brinquedo, tocado por Wayne. Enfim, destaque para tudo.

Iggy and the Stooges. Nada de canções da carreira solo, apenas da banda seminal (“No Fun”, “1969”, “I Wanna Be Your Dog” etc.), que era punk antes mesmo do termo existir. Iggy exibe um vigor memorável. Foi uma apresentação interessante, incensada por todos. Iggy simulou posições sexuais, chamou a platéia para o palco (causando tumulto entre os seguranças), proferiu inúmeras vezes a palavra fuck (seria ele uma versão roqueira da Dercy Gonçalves?) mas… Ok, ele é “o” cara do punk, fez um show memorável, como se estivéssemos em 1969… Todavia, não estamos mais no final da década de 60. Eu sei, rock é feito de clichês, mas quando a transgressão vira rotina, não deixa de ser contestação e vira fórmula?

No show do Sonic Youth, destaque para o mais recende disco, “Sonic Nurse”. Optaram por deixar de lado suas músicas mais conhecidas. Apenas “Drunken Butterfly”, “Bull in the Heather” e “Teenage Riot” tiveram vez. Sempre acho equivocada essa postura de fugir de certas músicas, mas até que não comprometeu o show.

No final, Nine Inch Nails. Também investiu na parte cênica de uma apresentação. O jogo de luzes impressionava. Som potente, acho que o mais alto da noite. Não utilizou a maioria das músicas conhecidas. Tiveram espaço “Closer”, “Only”, “March of Pigs” e “Hurt”. Para um fã, creio que não há emoção maior do que escutar ao vivo aquela canção tantas vezes tocada particularmente, via CD. Por isso, o momento da noite foi “Closer”. Afetivamente, o melhor show da noite.


1 comment Dezembro 4, 2005


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