O show de rock
Foi um período intenso de preparação: dez anos. A trajetória da banda é um pouco maior, mas minha admiração data de 1995. De lá para cá, a rotina de fã. Na verdade, antigamente o processo era bem mais arcaico. Se a banda era antiga, a solução era andar pelo Centro em busca de revistas antigas sobre o grupo. Internet? Que internet? A troca de informações era menor, visto que havia menos meios de acessá-la. Mas a admiração já era grande, e só foi crescendo com o tempo.
Para quem não admira rock, a coisa toda pode ser tola. Pior: muitos teimam em dizer que o gênero é coisa de adolescente. Seja como for, estar num estádio, com mais de 40 mil pessoas que tem a mesma admiração que você diante daquele artista, é uma emoção indescritível. Faz com que até o show de abertura passe despercebido. O encontro principal não pode tardar, posto que as canções já fazem parte da sua vida, mesmo tendo sido criadas em contextos totalmente distintos. Muitas vezes, a identificação com o que é dito é mais real para um fã de uma banda de rock do que conversar com seus pares.
E eis que o show começa. Estranho ser é o fã de rock. Aquele que fica imensamente feliz em escutar uma música em especial, mesmo que o teor da canção seja triste. O sorriso fica lá, solto. Tolice, mas se paga tão caro para, muitas vezes, nas canções mais especiais, cantar a música com os olhos fechados.
“Meu deus, como os shows de rock são tolos, principalmente o momento do isqueiro nas canções lentas”. Que nada, no momento que você está lá, faz todo o sentido. Bater palmas, repetir frases, atender ao pedido da banda de cantar certos trechos das músicas… A maioria segue, vai levando a canção.
Ah, fã de rock. Ainda mais dessa banda em específico, que tantas frentes têm em outros campos, o que resulta em grande admiração em amplos sentidos. Que, mesmo ligada a uma vertente do rock que privilegia a tristeza, trouxe a tantos alegria. Soa tolo? Pode ser, mas a força que uma canção pode ter na vida de uma pessoa é impressionante.
Ao olhar de um estranho, nada faz menos sentido que ficar junto a tantas pessoas, se espremer, procurar o melhor lugar para o show, tentar desviar das cabeças (mesmo que a melhor visão seja entre orelhas, cabelos longos, gorros etc.) e, no momento do show, cantar com grande intensidade, esquecendo de todos os possíveis problemas. Que, para a história, viram qualidades: “meu, o show foi demais, todo mundo cantando, um coro só, ‘tava cheio o local”.
“Mas que pessoa sem personalidade é o fã de rock”. Muitos com camisas com menções a banda. Sim, porque show de banda é totalmente diferente de show de festival. Num show apenas do artista, todos lá tem o mesmo objetivo, vão cantar todas as músicas, mesmo que seja o lado b de um single.
A tentativa mais prosaica de comunicação da banda, de tentar falar palavras na sua língua, resultam num deslumbre coletivo. Bandeira do seu país? Você, que nem liga para isso no dia-dia, acha lindo. Isso tudo poderia ficar de fora, as forças das canções já fariam o trabalho. Mas fazem parte do todo, e seria estranho não pensar nesse show sem todos esses pormenores.
Texto sentimental? Certos momentos da vida necessitam de emoção em demasia, e razão de menos. 02 de dezembro de 2005. Na platéia, um jovem, dentre tantos, atingia níveis de satisfação incomparáveis, posto que ser fã de rock é uma atividade superlativa. No palco, Pearl Jam.
5 comments Dezembro 16, 2005









