Archive for Agosto, 2006

O passado vive em mim

O Pearl Jam lançou nesse ano o seu mais recente disco, intitulado simplesmente “Pearl Jam”. O disco, que foi precedido pelo lançamento de uma coletânea (“rearviewmirror - Greatest Hits 1991-2003″), tenta ser uma releitura de tudo o que o grupo já fez. Não se trata de mais uma coletânea, já que é um álbum de inéditas, mas o disco perpassa toda a história da banda. Daí, creio eu, o porquê de batizar o álbum com o mesmo nome do grupo.

O Pearl Jam ainda faz o mesmo tipo de música, apesar de flertar – pouco, é verdade - com outros gêneros. Ao mesmo tempo em que testa novos caminhos, é difícil abandonar velhos hábitos musicais (como os característicos riffs de guitarras, os maneirismos vocais de Eddie Vedder etc.) No meio dessa encruzilhada musical, o Pearl Jam conseguiu novamente excelentes resenhas, ao mesmo tempo em que fez as pazes com o grande público, visto que o single “World Wide Suicide” (que tem um clipe horroroso) foi bastante tocado nas rádios rock.

Mas olhar para trás faz do Pearl Jam uma banda datada? Longe disso, apenas o tipo de som estava desgastado, tanto pela mídia quanto pelo consumidor de rock. Por culpa do grupo, é verdade, mas também pelas inúmeras cópias mal-feitas de outras bandas. Todavia, o resultado do disco é mediano, bem aquém dos três primeiros magistrais álbuns do grupo (“Ten”, “VS” e “Vitallogy”). Esses eram discos diversos, com várias cores. Ia de uma faixa pungente ao som mais calmo. A banda versava, assim, sobre os mais diversos temas, nas mais diversas sonoridades.

O novo álbum tenta repetir esse passado glorioso. Apesar de não fazer feio (em belas faixas como “Life Wasted”, “Unemployable” e “Inside Job”), o novo disco não atinge o mesmo nível de outrora (os trabalhos iniciais citados acima). Evidentemente, não quero dizer que com esse disco a banda acabou cometendo plágio de si mesma, até porque o grupo já tem um som consolidado. Parafraseando Paulinho da Viola, “eu não vivo no passado, o passado vive em mim”. Ademais, em relação aos trabalhos anteriores esse é nitidamente superior. No final das contas, eu prefiro um bom bife requentado a uma comida nova insossa.


Add comment Agosto 30, 2006

somos todos freaks





Em cartaz, um filme que trata o tema da transsexualidade com delicadeza. Humor até. Trata-se de “Transamérica”. A película conta a história de um transsexual, prestes a fazer a operação de mudança definitiva de sexo, que tem de adiar seus planos para ajudar seu filho, que desconhecia possuir.

A partir daí, apesar de ser um filme pequeno, só há superlativos na tela: excelentes interpretações - Felicity Huffman (de “Desperate Housewives”) está fenomenal -, roteiro bem escrito e direção concisa, mas extremamente eficiente. Apesar do tema polêmico, o assunto não é tratado de forma superficial. Acima de tudo, o resultado não é piegas, apesar de ser difícil não se sensibilizar com a estória.

***

Interessante como o filme aborda bem a temática da solidão. De como as pessoas, por causa disso, confundem atenção com afeto. Da mesma forma o assunto da dificuldade de interação com os demais, muitas vezes resultante da sensação de anormalidade, de se sentir incomum (no mal sentido da palavra). Em certo momento, a personagem principal desdenha e trata como desiguais pessoas que tem grande similaridade com ela. Em outra cena, ela se mostra emocionalmente abalada após ser chamada de “freak”.

***

Isso me fez lembrar da foto que ilustra esse texto, que foi tirada por Diane Arbus. O fotografado é Eddie Carmel (o gigante judeu), um homem de dois metros e meio que sofria de uma doença óssea. Assim a fotógrafa explicou sua predileção pelos freaks: “As pessoas atravessam a vida com medo de ter uma experiência traumática. Os “freaks” já nasceram com seu trauma. Passaram no teste da vida. Eles são aristocratas”.

Para Contardo Caligaris, “Ele [o freak] é um protótipo de herói moderno porque sabe como ninguém que a insistência dos olhares não é cura para a solidão”.

Voltando à foto. Esse foi o primeiro retrato de Arbus a lhe satisfazer. Porque? Eis a explicação dela: “Sabe como cada mulher grávida tem o pesadelo de que o filho poderia ser um monstro? Acho que consegui fotografar esse pesadelo na cara da mãe que olha para o filho, lá em cima, e parece pensar: “Meu Deus, isso não!’”.

Contardo Caligaris (sempre ele) escreveu um excelente texto sobre Diane Arbus, na Folha de S. Paulo. Infelizmente, o acesso é restrito para assinantes do UOL. Mas quem quiser é só pedir que eu envio.

***

Em 1971, aos 48 anos, Diane deitou-se na banheira, tomou barbitúricos, cortou os pulsos e… Somos todos freaks.


4 comments Agosto 30, 2006

Untitle

Recentemente, o jornalista Arthur Dapieve escreveu que “Ter alguém como herói intelectual não implica submissão total e automática a suas idéias.” Nada mais verdadeiro do que isso para encarar a adesão de artistas à campanha de Lula.

 

Em encontro realizado recentemente na casa de Gilberto Gil no Rio, vários artistas se encontraram com Lula. Os grandes entusiastas foram Wagner Tiso e o ator José de Abreu, que pediu palmas para José Dirceu, José Genoino (ex-presidente do PT) e o deputado José Mentor (PT-SP). Para completar, Lula teria dito que os acusados de corrupção seriam absolvidos pelas urnas.

Em que pese as informações terem sido publicadas no Estado de São Paulo, periódico de direita, nada mais tolo do que Lula evocar as urnas como um fórum qualificado de julgamento. Deveria ser. Mas essas mesmas urnas já absolveram também ACM, Jader Barbalho, Paulo Maluf e muitos outros.

Também estiveram no encontro: os atores Paulo Betti, Arlete Salles, Renata Sorrah, Tonico Pereira e Bete Mendes; os músicos Jards Macalé, Jorge Mautner, Rildo Hora, Zeca Pagodinho, Alcione e Fernanda Abreu; a modelo Luiza Brunet, com o marido Armando Fernandez; o casal de produtores de cinema Lucy e Luiz Carlos Barreto; os cineastas Roberto Farias e Katia Lund; e os teatrólogos Augusto Boal e Amir Haddad. A Folha acrescentou Tassia Camargo e Letícia Sabatella. Marieta Severo e Chico Buarque, que não puderam comparecer, mandaram “aquele abraço”.

***

Bem se nota que debates sobre corrupção foram devidamente relegados a um segundo plano. Pior: atos ilícitos são até justificados. Tiso e Betti teriam dito que as irregularidades praticadas no governo Lula devem ser toleradas, alegando que fazem parte da política. Mais tarde, deram a mesma desculpa de sempre: foram mal-interpretados, suas declarações foram colocadas fora do contexto etc.

Pelo menos levaram uma descompostura. O compositor Raimundo Fagner (grande apoiador do PSDB) e o autor de novelas, Aguinaldo Silva, criticaram tais posições. O que é bastante lógico, aliás. Esse último teria dito: “Se Betti acredita que para fazer política é preciso sujar as mãos, quando um artista se mete no assunto, se suja e ainda diz besteira.”

***

Com artistas como esses (que esquecem detalhes como “ética”), políticos como Miguel Mossoró não soam tão caricatos. Triste país. É por essas e outras que o voto nulo deve crescer 500% nesse ano, segundo pesquisa Datafolha.


Add comment Agosto 27, 2006

Recentemente, o jornalista Arthur Dapieve escreveu que “Ter alguém como herói intelectual não implica submissão total e automática a suas idéias.” Nada mais verdadeiro do que isso para encarar a adesão de artistas à campanha de Lula.

Em encontro realizado recentemente na casa de Gilberto Gil no Rio, vários artistas se encontraram com Lula. Os grandes entusiastas foram Wagner Tiso e o ator José de Abreu, que pediu palmas para José Dirceu, José Genoino (ex-presidente do PT) e o deputado José Mentor (PT-SP). Para completar, Lula teria dito que os acusados de corrupção seriam absolvidos pelas urnas.

Em que pese as informações terem sido publicadas no Estado de São Paulo, periódico de direita, nada mais tolo do que Lula evocar as urnas como um fórum qualificado de julgamento. Deveria ser. Mas essas mesmas urnas já absolveram também ACM, Jader Barbalho, Paulo Maluf e muitos outros.

Também estiveram no encontro: os atores Paulo Betti, Arlete Salles, Renata Sorrah, Tonico Pereira e Bete Mendes; os músicos Jards Macalé, Jorge Mautner, Rildo Hora, Zeca Pagodinho, Alcione e Fernanda Abreu; a modelo Luiza Brunet, com o marido Armando Fernandez; o casal de produtores de cinema Lucy e Luiz Carlos Barreto; os cineastas Roberto Farias e Katia Lund; e os teatrólogos Augusto Boal e Amir Haddad. A Folha acrescentou Tassia Camargo e Letícia Sabatella. Marieta Severo e Chico Buarque, que não puderam comparecer, mandaram “aquele abraço”.

***

Bem se nota que debates sobre corrupção foram devidamente relegados a um segundo plano. Pior: atos ilícitos são até justificados. Tiso e Betti teriam dito que as irregularidades praticadas no governo Lula devem ser toleradas, alegando que fazem parte da política. Mais tarde, deram a mesma desculpa de sempre: foram mal-interpretados, suas declarações foram colocadas fora do contexto etc.

Pelo menos levaram uma descompostura. O compositor Raimundo Fagner (grande apoiador do PSDB) e o autor de novelas, Aguinaldo Silva, criticaram tais posições. O que é bastante lógico, aliás. Esse último teria dito: “Se Betti acredita que para fazer política é preciso sujar as mãos, quando um artista se mete no assunto, se suja e ainda diz besteira.”

***

Com artistas como esses (que esquecem detalhes como “ética”), políticos como Miguel Mossoró não soam tão caricatos. Triste país. É por essas e outras que o voto nulo deve crescer 500% nesse ano, segundo pesquisa Datafolha.


3 comments Agosto 27, 2006

O óbvio que faz falta


E Ernesto Varela, a personagem-jornalista do multimídia Marcelo Tas está de volta. Dessa vez, no teatro. Varela era conhecido por fazer perguntas óbvias, diretas. Isso em meados dos anos 80. Como na vez que perguntou a Maluf se ele era corrupto. Certa vez, a Folha promoveu um encontro de Tas com o repórter Vesgo, para debater, entre outras coisas, a similaridade entre as duas personas. Para mim, o Varela é bem melhor. Certa vez, ele falou ao então vice-presidente da CBF, Nabi Abi Chedid: “Uma pergunta futebolística para encerrar a entrevista: qual a sua próxima jogada?”.

***

O câmera que acompanhava Varela, que atendia pela alcunha de Valdeci, na verdade se chama Fernando Meireles, agora renomado cineasta (“Cidade de Deus”, “Jardineiro Fiel” etc.)

***

No vídeo, seleção de momento de Varela em ação.


Add comment Agosto 25, 2006

Ontem e hoje


Pesquisando sobre um programa de entrevista, acabei achando uma matéria interessante sobre Madonna. Mesmo o texto sendo datado de 1990, muito do que é tratado hoje como algo moderno, já era praticado pela artista (“ataque multimídia”, é o que diz o texto). Em certo momento, há o seguinte trecho: “É impossível prever se a fórmula vai continuar a dar certo nos anos 90”. 16 anos depois, sabemos o que aconteceu.

***

No vídeo, Madonna e Anthony Kiedis (RHCP), cantando no tal programa pesquisado (Arsenio Hall Show) a música “The Lady is a Tramp”.

A palavra

Texto curioso de Ferreira Gullar, publicado na Folha de S. Paulo (acesso apenas para assinantes). O escritor, que participou do festival literário de Parati nesse ano, ao lado do escritor palestino Mourid Barghouti, relata a posição dos dois diante da pergunta: a palavra ajuda a resolver os conflitos ou a aguçá-los? Barghouti afirmou que, na maioria das vezes, ela serve para confundir as pessoas e deu como exemplo o que ocorre com a guerra entre Israel e os palestinos, quando muitas vezes se inverte o sentido das palavras, chamando de terrorismo o que é resistência ao invasor e de represália o que seria de fato o massacre de inocentes.

Gullar escreve que, por outro lado, as palavras às vezes servem para confundir as pessoas, mas servem também para esclarecer as questões - do contrário, viveríamos numa Babel. Elas são apenas um meio, o que importa é a disposição das pessoas, que sempre querem ter razão, sem considerar as razões do outro.


Para ele, isso não dá certo nem no casamento. Você insiste em que está com a razão, briga e depois vai para o quarto, cheio de razão, mas sozinho, triste. Então, de que serve ter razão? De minha parte -disse eu- desisto, não quero ter razão, quero ser feliz.

***

Na música, me veio à mente duas bandas britânicas versando sobre o tema. O Depeche Mode, com “Enjoy the Silence” (“Words like violence / Break the silence / Come crashing in / Into my little world”) E o Starsailor, com “Silence is easy” (“Silence is easy, it just becomes me / you don’t even know me, all lie about me).


Add comment Agosto 23, 2006

Múltiplas

Ainda sobre vídeos na internet. Segundo a consultoria Comscore, o Yahoo Vídeo é o site mais visitado nos EUA nesse segmento. O MySpace Vídeos é o segundo e o propalado por aqui You Tube é o terceiro. O Google Vídeo? Só aparece em sétimo lugar.

Acredito que acontece com o You Tube algo semelhante ao que aconteceu com o Orkut, que é muito visitado por aqui, mas desconhecido lá fora, em virtude de outros sites de relacionamento mais visitados.

***

Aliás, que Orkut, que nada. No MySpace, eu sou amigo do Nine Inch Nails, Moby, Morrissey, Weezer, Killers etc. E, dizem, são os autênticos.

***

No site Plug It In!, novo texto meu. Em pauta, o belo disco de estréia do grupo Panic! At the Disco.

***

E O Estado de São Paulo traz uma bela matéria sobre políticos envolvidos em corrupção.


1 comment Agosto 19, 2006

Boca de urna virtual

Se promessa é dívida, então meu saldo devedor está bastante estourado. Todavia, como estamos em época de eleição, eis minha promessa: ser mais presente nesse blogue. E o tema aqui é… Eleição. Os especialistas tupiniquins dizem que a internet terá um papel menos coadjuvante nesse ano. Algo similar ao que ocorreu nos EUA. Duvido. A rede, por aqui, atinge, no máximo, umas 30 milhões de pessoas. De pessoas que entram na internet não apenas para acessar o orkut ou seu e-mail pessoal, sobra pouca gente que usa o meio on-line. Isso num universo de 180 milhões de habitantes. E, mesmo as pessoas que usam muito a net, acessam do trabalho, que anda cada vez mais vigiado.

Por isso, nada de “netroots“, expressão cunhada por Jerome Armstrong e que designa o ativismo político de “raiz” organizado via internet. De qualquer forma, quem se aventurar a acompanhar o pleito pela net, vai ter uma bela fonte de informações.

Uma bela pedida é o blogue Toda Mídia, do jornalista Nelson de Sá, que também mantém uma coluna de mesmo nome no jornal Folha de S. Paulo. No lado direito desse blogue, há vários links de outros blogues mantidos por jornalistas. Nessa matéria da Folha de S. Paulo, há vários links interessantes. Há ainda criações inusitadas, como o e-indignação, que organiza uma caminhada virtual a Brasília contra a corrupção.

Para quem se interessa pelo “exótico”, há também You Tube. Nada melhor do que visitar o ano de 1989 e conferir campanhas como a de Enéas e do apresentador Silvio Santos. Aliás, o atual slogan de Enéas é Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas”.

No final das contas, é melhor ir para a internet do que assistir o programa eleitoral gratuito.


Add comment Agosto 17, 2006

Panic! At the Disco - “A Fever You Can´t Sweat Out” (2006)

Primeiro. Tenho de confessar minha incapacidade em identificar em cores fortes qual a maior característica do som dessa banda. Por aí, dizem que é emocore. Mas, talvez por achar a banda melhor do que a maioria dos artistas do “movimento�? ou por não ver no grupo grandes características do propalado punk emocional, não acho que seja esse o caminho para identificar a banda. Até porque as letras do quarteto fogem da melancolia exacerbada, um das características mais arraigadas dos grupos emo. Em falta de termo melhor, vamos dizer apenas que é pop. Ok. Tampouco esse termo ajuda. Mas, para mim, soa mais verdadeiro.

O Panic! At the Disco é um quarteto de Las Vegas que alcançou certa notoriedade com o single “I Write Sins, Not Tragedies”. Mas há outros sons tão interessantes quanto no primeiro disco do grupo, “A Fever You Can´t Sweat Out” (”Febre que você não pode transpirar”). A começar pela primeira música do álbum, “The Only Difference Between Martyrdom And Suicide Is Press Coverage” (a maioria das músicas é batizada no estilo dos Smiths).

Todavia, as canções não chamam atenção apenas pelos nomes quilométricos, mas também pelas letras, que estão acima da média por contarem histórias bem sacadas, pelos temas distintos e por trazerem algumas frases de efeito construídas eficientemente. Afora isso, o disco ainda guarda belas sacadas, como ser divido em dois. Um gravado com técnicas mais modernas, e outro com equipamentos mais antigos.

O grupo guarda ainda algumas semelhanças com o The Killers, grupo também egresso da mesma cidade. Além da maquiagem, o som da banda se encaixa perfeitamente nas pistas de dança. Ou seja, o som do grupo é, acima de tudo, para a diversão. E não há nada demais em viver momentos de puro hedonismo.


Add comment Agosto 17, 2006

Mais do mesmo

“Este amor, este meu fado, 
Tão vivido e magoado
Entre o sim e o todavia,
Este amor desgovernado, 
Marcado a fogo e calcado
Em funda melancolia”

Mariza - Toada Do Desengano
(by Vasco Graça Moura & Franklin Godinho)

E com a eleição se avizinhando, começa o festival de promessas sem sentido. O discurso vazio impera mais uma vez. Segundo o blogue Nonsense (a visita é mais do que recomendável), recentemente assim falou Lula em um discurso: “Ser presidente da República e ser candidato é uma coisa meio complicada, porque nunca sei quando sou candidato e quando sou presidente. Estou aqui agora como candidato, mas se acontecer alguma coisa, eu largo o microfone e fico presidente outra vez”.

Quer mais? Plínio Fraga contou, na página da Presidência com discursos de Lula neste ano, a expressão “estou convencido de que…” 37 vezes.

Evidentemente, o festival de asneiras não cabe apenas a ele. Geraldo Alckmin também apronta das suas, no melhor estilo tucano. Perguntado sobre baixar a taxa de juros, ele respondeu: “O que vou fazer é colocar de novo o país na rota do crescimento”. Em seu blogue, há ainda coisas como: “Precisamos melhorar as condições de vida nas cidades”. Qual a fórmula para isso? “Precisamos reunir os esforços da iniciativa privada e de todos os níveis da administração pública”.

Em matéria de debate político, continuamos mal. No final, é como dizia o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”. Num país em que ditos intelectuais como Chico Buarque e o cineasta Jorge Furtado ratificam seu apoio ao PT (são apenas alguns exemplos), nada mais verdadeiro que o Prefácio do poeta Olavo Bilac para o livro “Lendas e Tradições Brasileiras”, de Affonso Arinos: “Affonso Arinos resumiu, com precisão cruel, os males que nos adoecem e nos envergonham: a dispersão dos bons esforços; o desamparo do povo do interior, dócil e resignado, roído de epidemias e de impostos; a falta de ensino; a desorganização administrativa; a incompetência econômica; a insuficiência; a ignorância petulante e egoísta dos que governam este imenso território, em que ainda não existe nação”. Detalhe: o texto é de 1917.

Uma coisa é certa. Quem votar em Lula e pessoas ligadas ao mensalão nunca mais poderá falar de qualquer atividade ilícita. De certa forma, serão cúmplices da corrupção. Fiz abaixo uma coletânea de textos meus sobre o governo Lula. Todavia, antes algumas pessoas poderiam votar calcadas no sonho de dias melhores. É inócuo, mas pelo menos por ser tido algo ingênuo. E agora, para justificar tal voto, vão dizer que desconheciam o acontecido?


Add comment Agosto 3, 2006


Links

Categorias

Últimos posts

Arquivos

 

Agosto 2006
S T Q Q S S D
« Jul   Set »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Minhas fotos no Flickr

Estação Pinacoteca, São Paulo

Lordy don't leave me...

who?

Decida-se

detalhes

detalhes # 2

star

conjugações

More Photos

del.icio.us | algumas dicas de sites

Links mais acessados

Audiência

Etiquetas

Feeds