somos todos freaks
Escrito por c chaplin em Agosto 30, 2006
Em cartaz, um filme que trata o tema da transsexualidade com delicadeza. Humor até. Trata-se de “Transamérica”. A película conta a história de um transsexual, prestes a fazer a operação de mudança definitiva de sexo, que tem de adiar seus planos para ajudar seu filho, que desconhecia possuir.
A partir daí, apesar de ser um filme pequeno, só há superlativos na tela: excelentes interpretações - Felicity Huffman (de “Desperate Housewives”) está fenomenal -, roteiro bem escrito e direção concisa, mas extremamente eficiente. Apesar do tema polêmico, o assunto não é tratado de forma superficial. Acima de tudo, o resultado não é piegas, apesar de ser difícil não se sensibilizar com a estória.
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Interessante como o filme aborda bem a temática da solidão. De como as pessoas, por causa disso, confundem atenção com afeto. Da mesma forma o assunto da dificuldade de interação com os demais, muitas vezes resultante da sensação de anormalidade, de se sentir incomum (no mal sentido da palavra). Em certo momento, a personagem principal desdenha e trata como desiguais pessoas que tem grande similaridade com ela. Em outra cena, ela se mostra emocionalmente abalada após ser chamada de “freak”.
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Isso me fez lembrar da foto que ilustra esse texto, que foi tirada por Diane Arbus. O fotografado é Eddie Carmel (o gigante judeu), um homem de dois metros e meio que sofria de uma doença óssea. Assim a fotógrafa explicou sua predileção pelos freaks: “As pessoas atravessam a vida com medo de ter uma experiência traumática. Os “freaks” já nasceram com seu trauma. Passaram no teste da vida. Eles são aristocratas”.
Para Contardo Caligaris, “Ele [o freak] é um protótipo de herói moderno porque sabe como ninguém que a insistência dos olhares não é cura para a solidão”.
Voltando à foto. Esse foi o primeiro retrato de Arbus a lhe satisfazer. Porque? Eis a explicação dela: “Sabe como cada mulher grávida tem o pesadelo de que o filho poderia ser um monstro? Acho que consegui fotografar esse pesadelo na cara da mãe que olha para o filho, lá em cima, e parece pensar: “Meu Deus, isso não!’”.
Contardo Caligaris (sempre ele) escreveu um excelente texto sobre Diane Arbus, na Folha de S. Paulo. Infelizmente, o acesso é restrito para assinantes do UOL. Mas quem quiser é só pedir que eu envio.
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Em 1971, aos 48 anos, Diane deitou-se na banheira, tomou barbitúricos, cortou os pulsos e… Somos todos freaks.


Setembro 1, 2006 às 5:13 am
Traumas são como os bugs do Windows: de anos em anos, tira-se os antigos e arruma-se novos.
Setembro 5, 2006 às 1:46 am
somos todos freaks.
mas alguns disfarçam de modo magistral.
Setembro 11, 2006 às 2:53 am
Nada contra os freaks. Não suporto mesmo são os fake-freaks, as pessoas que curtem ser estranhinhas pra chamar atenção.
Ah, e tem um convite pra ti no meu blog, viu. Beijos.
Março 6, 2008 às 6:25 pm
[...] me lembra um texto antigo meu intitulado “Somos todos freaks“, sobre as fotos de Diane Arbus (uma em especial, a de Eddie Carmel). Citava um texto de [...]