Tim Festival - 2006
Escrito por charles c em Novembro 1, 2006
Impressões impressionantes
O que chamou a atenção, logo de cara, foi a estrutura do local. A Marina da Glória também propiciou uma bela paisagem. Como o evento era destinado para poucas pessoas (o palco principal recebia, no máximo, 4 mil pessoas), era bastante agradável circular pelo ambiente. Mesmo durante o show, o que permitia que se ficasse bem próximo do palco.
Alguns acharam a escalação errática, morna até. Eu, que apreciava quase tudo que ia tocar no Tim Stage, adorei. O problema foi que a organização acabou engessando demais as apresentações, que eram rigorosamente cronometradas.
O pior era a estrutura de fora. Fila para táxi, e o local era uma escuridão só (e a organização ainda recomendou que as pessoas não fossem de carro…). Andar lá fora era esquisito.
Quer dizer, nem tanto. Era interessante ver transeuntes tão notórios passeando pelo local. Sim, porque poucos queriam realmente ver os shows. A maioria parecia estar interessada em ser vista.
No primeiro dia, encontrei Lulu Santos (que parece até mais mala de perto), Otto e Alessandra Negrini. No segundo, Débora Falabella, seu marido, o Chuck do grupo Forgotten Boys etc. Mas no último dia é que se encontrava o maior número de celebridades. Marcelo D2, Mariana Ximenes, Leandra Leal, o vocalista do Barão Vermelho, toda a banda Dead Fish e Nana Golveia (que mostrou, ao vivo, que para sair nas revistas masculinas precisou de bastante tratamento no photoshop).
Os shows
A maioria das apresentações não centrou seu show no último lançamento, mas sim nos grandes sucessos.
Os robôs do Daft Punk iniciaram pedindo contato com a platéia ao som da trilha do filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. Nem precisavam. Entraram com o jogo ganho. Até porque foi o único show que não era simplesmente para o Tim Festival. Foi um show da turnê deles que era apresentado no local. Enquanto todos os outros tocaram num palco simples, em que aparecia a logomarca da Tim, eles trouxeram toda a sua parafernália, como a impressionante pirâmide.
Foi um show de encher os olhos. Mesmo com a maioria das batidas pré-gravadas (até para haver sincronia com as imagens), o duo, que se apresentou travestido de robô, transformou o lugar numa imensa discoteca.
Foi uma grande colagem sonora, em que muitas músicas não tocaram só uma vez, mas voltavam para outras justaposições. E todos os hits do grupo tocaram. Destaque para “Technologic” e “One More Time”.
No segundo dia, o Mombojó fez uma bela apresentação, que foi conquistando aos poucos a atenção da platéia. A mistura da banda, que vai do mangue beat ao eletrônico, deu caldo. O grupo estava visivelmente empolgado com a apresentação, como se aquele show fosse o ápice da carreia deles. Isso, por um lado, foi muito bom, mas por outro comprometeu o show. Muitas vezes eles corriam demais, o vocalista cantava e afastava o microfone da boca etc. No final, o coro em “Deixe-se Acreditar”.
Depois, sobe ao palco Patti Smith, que começou com uma cover de “Gimme Shelter”, que estará em seu próximo disco. Todas as músicas mais conhecidas da cantora tiveram espaço (“Rock ‘n’ Roll Nigger”, “People Have the Power”, “Because the Night”), menos “Dancing Barefoot”. Entre cusparadas e discursos que precediam as canções, ganhou a platéia. No final, uma guitarra com as cordas cortadas pela cantora. “Gloria”.
Em seguida, sobe ao palco o Yeah Yeah Yeahs. Se a torcida, em muitos casos, é o décimo segundo jogador de um time, a platéia foi o quarto integrante da banda. Cantou a maioria das músicas em uníssono. Destaque para performática vocalista, que usa todos os adereços à disposição na sua apresentação (panos, capas, lenços etc.). Nem o microfone e o seu fio eram dispensados. Karen O engolia o microfone, colocava-o contra o peito e ainda usava seu fio para passar no corpo.
Embora tenha sido uma apresentação empolgante, com muitas músicas “para pular”, as melhores foram as mais lentas “Gold Lion” e a linda “Maps”. No final, o microfone é jogado para a platéia.
No terceiro dia, o grupo Instituto e o maior número de clichês possível do rap. Se alguns tiveram dificuldade para dizer qual o melhor show, esse com certeza será eleito como o pior.
Depois, DJ Shadow com sua eletrônica mais para a cabeça que para a cintura. Sua técnica impressiona. “Six Days” foi o ponto alto da sua apresentação, que também deu espaço para o projeto Unkle, do qual fez parte. Tocou “Rabbit In Your Headlights”, que tem nos vocais Tom York (Radiohead). Simpático, sabia de sua condição de coadjuvante no dia, e falava sempre dos Beastie Boys.
Seria o melhor DJ da noite se em seguida não entrasse em evidência o DJ Mixmaster Mike, que acompanha os Beastie Boys. É o melhor DJ que já vi em minha vida. A sua técnica não serve para ele se exibir, mas sim se presta de forma maravilhosa à apresentação. Todos os maneirismos dele não são inúteis, não são firulas desnecessárias. São parte essencial do show.
De longe, a melhor apresentação da noite. Se no Daft Punk tudo era programado, na apresentação dos Beastie Boys as mixagens eram ao vivo. Era impressionante ver o DJ tocar com os Mcs, interagir com os rappers. Aliás, esbanjaram simpatia. A interação banda e platéia era total. Entre discursos bem-humorados, os três presentearam a platéia com a maioria de seus hits: “Body Movin’”, “So What’cha Want”, “Sure Shot”, “Triple Trouble”, “Ch-Check It Out” etc.
O bis – quando voltaram com os instrumentos - teria sido maravilhoso, se não tivesse havido problema no som. O show terminou com gosto de goleada em final de campeonato, quando eles voltaram para tocar “Intergalatic” e finalizaram com “Sabotage”.

Fevereiro 21, 2008 às 12:31 pm
[...] Do Daft Punk não precisa dizer nada. Ah, só que tem material novo deles chegando por aí. Trata-se do disco “Alive 2007″. Como o nome já entrega, com canções ao vivo do duo (sendo que a compreensão do que é apresentação para eles é algo muito próprio; quem esteve no Tim Festival 2006 sabem bem disso. Eu estive). [...]