Archive for Janeiro, 2007

Em carne viva


A foto e o texto abaixo são da edição de final de ano da Veja. Para acompanhar a matéria original (em inglês), publicada na People, clique aqui.

É difícil reproduzir imagem que retrate de maneira mais espantosa um efeito da Guerra do Iraque que, fora dos Estados Unidos, pouco chama atenção: as baixas nas Forças Armadas americanas. Elas chegaram em 2006 à marca dos 3 000 mortos e 10 000 feridos graves. Em cidades de alta concentração de militares, já são visíveis as marcas da guerra – e nenhuma delas é mais impressionante do que as que cobrem o corpo do sargento Ty Ziegel, 24 anos. Alto e bonitão, ele estava numa patrulha com seu pelotão de fuzileiros navais quando explodiu um carro-bomba. Sofreu traumatismo craniano, perdeu um olho, o antebraço esquerdo e três dedos da mão direita. O fogo consumiu lábios, orelhas e nariz. Na mesa de cirurgia, os médicos tiraram o lobo frontal de seu cérebro. Em outubro passado, recuperado do pior, apesar das deformidades, casou-se com Renee Kline, a namoradinha de antes da guerra, cercado por damas de honra e companheiros em uniforme de gala, que são a imagem espelhada do que ele era e jamais voltará a ser.


Add comment Janeiro 30, 2007

Por um ano mais analítico

Jorge Coli, colunista da Folha de S. Paulo, escreveu recentemente sobre Champfleury, um crítico e historiador da arte do século 19.

Em 1861, Champfleury publicava uma obra intitulada “Grandes Figuras de Ontem e de Hoje - Balzac, Gérard de Nerval, Wagner, Courbet” (disponível em http://books.google.com.br; buscar “Grandes figures d’hier et d’aujourd’hui”). Esse livro de ensaios traz, no prefário, conselhos perspicazes de Champfleury. Jorge Coli citou algumas, que também reproduzo aqui. Boa leitura.

Frases
1) Nunca faça concessão a ninguém. 2) Pense o que você escreve e escreva o que você pensa. 3) Se você quer enriquecer, jogue fora sua pena. 4) Se você teme ferir as opiniões da sociedade, jogue fora sua pena. 5) Se você quer agradar a toda gente, jogue fora sua pena.
6) Se você quer, aos 30 anos de idade, chegar à honra, à fortuna, à tranqüilidade, jogue fora sua pena. 7) Se o amor ao jogo, ao vinho, às mulheres é, em você, mais forte do que a arte, jogue fora sua pena. 8) Não se submeta às leis da sociedade e não tema viver sozinho, com seu pensamento diante de si, com seu pensamento como companheiro, com seu pensamento como amigo, com seu pensamento como namorada. 9) Obrigue-se a ser pobre. Se você é rico, gaste logo seu dinheiro para pedir o sustento às letras. 10) Com 20 anos, todos somos ricos; o dinheiro virá mais tarde.
11) Nunca escreva uma única linha por complacência com quem quer que seja; de complacência em complacência, você se tornará apenas um empregado doméstico. 12) Não espere uma popularidade súbita; só os medíocres conseguem o sucesso na primeira tentativa. 13) Pense muito no futuro, pouco no passado, e esqueça o presente. 14) Não se gaste com polêmicas frívolas. As polêmicas não fazem bons volumes. 15) Negam sua obra; sua obra responde por você. 16) Você foi negado, logo, você existe. 17) De 18 a 25 anos, permito-lhe todas as paixões; para pintar o amor é preciso ter amado. Você ainda não é homem e não sabe o que vai se tornar; mas tome cuidado para que as paixões não grudem em você por toda a vida.
1 8) Se precisar de um amigo dedicado, sempre alegre, sempre disposto a acompanhar-lhe em longas caminhadas, pegue um cachorro. 19) Você deve julgar tudo por você mesmo, por seus olhos e por seus ouvidos, nunca decida nada pelos olhos de outro ou pelos ouvidos de seu vizinho.


1 comment Janeiro 19, 2007

A morte do clipe

Em janeiro, a MTV estreou a sua nova programação. Na verdade, disso pouca gente sabe (até porque colocou vários enlatados americanos). O que ganhou mais destaque foi a ínfima participação dos clipes na nova programação. Ou seja, se destruiu toda a lavoura sem saber o que plantar no local.

“Apostar em clipe na televisão é um atraso.” A frase é de Zico Góes, diretor de programação da MTV. Ora, mas foi com clipes que a estreante Mix TV venceu a MTV. Outra emissora paulista que investe em clipes é a Play TV (emissora que, dos 179 que está no ar, completos em novembro, ficou 101 dias à frente da MTV, na média). Essas duas são abertas. Há também o Multishow, que aposta no filão na TV paga.

Além do argumento acima, a MTV também alega que clipes não dão ibope. Mas não foi esse o alicerce da sua programação por tanto tempo? Não seria a queda da audiência um fenômeno mais creditado à concorrência desses novos canais listados acima do que à fadiga dos clipes? Afinal, antes a MTV não contava com concorrentes.

Coerência, no Brasil, é algo raro. Mas vale a pena ler o que Zico Góes disse à Folha de São Paulo, em oito de agosto do ano passado. Ou seja, quatro meses antes da MTV optar por deixar de lado os clipes. “O Ibope não é ferramenta para medir o sucesso em uma TV segmentada. Nós somos segmentados, falamos com público pequeno. No dia em que começarmos a falar não apenas com o jovem, mas com o pai dele, a avó dele, deixaremos de ser a MTV para sermos uma TV generalista.” Ou seja, a emissora desdenha índices de audiência, mas utiliza isso como argumento para descartar o que mais lhe caracterizava?

A MTV local pensa, creio eu, que segue a estratégia da MTV americana. Mas lá se criou inúmeras alternativas, como o canal VH1, voltado para os mais velhos, com mais documentários, e a MTV2, que só passa clipes. A MTV americana investiu mais no filão de programas de entretenimento.

Há também o argumento que os clipes agora pertencem ao meio on-line. E o que não pertence? Apesar do sucesso da versão local da MTV Overdrive, site que conta com um acervo gigante de clipes, num país em que poucas pessoas têm computador, e menos ainda acessam via banda larga, faz sentido trabalhar com essa visão? E para os que não tem essas regalias no momento de acessar a internet, a MTV não poderia ser uma opção para esse público assistir clipes? Essa audiência de excluídos, aliás, é maior do que as pessoas que tem acesso de qualidade. Se a MTV não consegue cativar esse público, erro dela, da sua programação para lá de capenga, e não dos clipes, que parecem ter sido eleitos para justificar a pouca audiência do canal.

Para terminar, a MTV planeja lançar sua própria rádio, em parceria com uma emissora já existente em São Paulo. Para quem considera exibir clipes algo datado, investir em rádio seria uma opção inovadora?


1 comment Janeiro 14, 2007

O Ed Wood dos ringues

Chamar para o pau. O diretor de cinema Uwe Boll, cansando das críticas mordazes a seus filmes – recebeu a alcunha de pior cineasta da atualidade –, chamou para a briga, no seu site, os seus detratores, entre eles Tarantino. Boll chegou a afirmar que “os nerds que escrevem porcarias sobre mim na internet e moram com as mães, que pagam tudo pra eles, merecem apanhar.”

Quatro críticos de filmes na internet responderam ao chamado. Nos últimos dois meses Boll os tem enfrentado no ringue, em Vancouver (Canadá). Ele também chegou a viajar a Valência, na Espanha, para enfrentar o único concorrente não-americano, Carlos Palencia Jimenez-Arguello. E, provando que todo mundo tem seu valor, Uwe Boll encontrou seu talento como lutador, já que quebrou a cara de todos. As lutas contaram até com bolsa de apostas.

Além disso, conseguiu notoriedade com isso. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar dele. Boll é mais conhecido – e detestado – por fãs de videogames, já que adaptou vários jogos para o cinema, como “House of the dead” e “Alone in the dark”.

E, por mais estranho que pareça, também conseguiu admiração. O cinéfilo Chance Minter, 17 anos, disse ter mudado de idéia depois de tomar uns tabefes do camarada. “Desenvolvi uma admiração doentia por ele”, revela.

Ah, antes de fazer cinema, Uwe Boll era boxeador em Berlim!

No vídeo, a terceira luta de Uwe Boll. Todas estão no You Tube.


Add comment Janeiro 9, 2007

Rio-me


Foi um reveillon atípico. De nudismo de uma senhora de 95 anos a uma passagem de ano sem fogos, houve coisas inusitadas para todos os gostos.

Falando em gostos, foi um período rico em experiências gustativas. Da comida de mãe, que ainda por cima busca não se repetir – “comer cachorro quente dois dias seguidos?”- aos quitutes da terra, mesmo que vindos de outras partes, quilos a mais foram colecionados com prazer. O que dizer das belas empadinhas do Barnabé, e sua insólita forma de retribuir a “caixinha”? E o imponente hambúrguer Big Portuga? Na foto, apenas a metade.

Também se praticou o turismo comum, como ver coisas velhas (prédios outrora despedaçados recém-reformados) e praias. Numa praia, o exótico pôr do sol ao som de música clássica tocada por músicos em duas canoas distintas. Uma barraca começou e a outra imitou.

Isso sem falar do turismo afetivo. Visitar lugares caros, como a loja de CDs usados. Ainda se encontra de tudo, do segundo álbum do Stone Temple Pilots (comprado), ao disco do Walter Mercado.

No final, as pessoas na beira-mar, à espera dos fogos. E… nada. No dia seguinte, surge a notícia que foram roubados. Não faz mal, poucas vezes as estrelas tiveram uma platéia tão grande a mirar seu espaço.

E o ano novo, que começou em ritmo policial, ainda recebeu mais um ingrediente que serve para elevar a audiência das TVs. A nudez, que é contada aqui (no novo endereço do meu fotolog).


Add comment Janeiro 6, 2007


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