A morte do clipe
Escrito por c chaplin em Janeiro 14, 2007
Em janeiro, a MTV estreou a sua nova programação. Na verdade, disso pouca gente sabe (até porque colocou vários enlatados americanos). O que ganhou mais destaque foi a ínfima participação dos clipes na nova programação. Ou seja, se destruiu toda a lavoura sem saber o que plantar no local.
“Apostar em clipe na televisão é um atraso.” A frase é de Zico Góes, diretor de programação da MTV. Ora, mas foi com clipes que a estreante Mix TV venceu a MTV. Outra emissora paulista que investe em clipes é a Play TV (emissora que, dos 179 que está no ar, completos em novembro, ficou 101 dias à frente da MTV, na média). Essas duas são abertas. Há também o Multishow, que aposta no filão na TV paga.
Além do argumento acima, a MTV também alega que clipes não dão ibope. Mas não foi esse o alicerce da sua programação por tanto tempo? Não seria a queda da audiência um fenômeno mais creditado à concorrência desses novos canais listados acima do que à fadiga dos clipes? Afinal, antes a MTV não contava com concorrentes.
Coerência, no Brasil, é algo raro. Mas vale a pena ler o que Zico Góes disse à Folha de São Paulo, em oito de agosto do ano passado. Ou seja, quatro meses antes da MTV optar por deixar de lado os clipes. “O Ibope não é ferramenta para medir o sucesso em uma TV segmentada. Nós somos segmentados, falamos com público pequeno. No dia em que começarmos a falar não apenas com o jovem, mas com o pai dele, a avó dele, deixaremos de ser a MTV para sermos uma TV generalista.” Ou seja, a emissora desdenha índices de audiência, mas utiliza isso como argumento para descartar o que mais lhe caracterizava?
A MTV local pensa, creio eu, que segue a estratégia da MTV americana. Mas lá se criou inúmeras alternativas, como o canal VH1, voltado para os mais velhos, com mais documentários, e a MTV2, que só passa clipes. A MTV americana investiu mais no filão de programas de entretenimento.
Há também o argumento que os clipes agora pertencem ao meio on-line. E o que não pertence? Apesar do sucesso da versão local da MTV Overdrive, site que conta com um acervo gigante de clipes, num país em que poucas pessoas têm computador, e menos ainda acessam via banda larga, faz sentido trabalhar com essa visão? E para os que não tem essas regalias no momento de acessar a internet, a MTV não poderia ser uma opção para esse público assistir clipes? Essa audiência de excluídos, aliás, é maior do que as pessoas que tem acesso de qualidade. Se a MTV não consegue cativar esse público, erro dela, da sua programação para lá de capenga, e não dos clipes, que parecem ter sido eleitos para justificar a pouca audiência do canal.
Para terminar, a MTV planeja lançar sua própria rádio, em parceria com uma emissora já existente em São Paulo. Para quem considera exibir clipes algo datado, investir em rádio seria uma opção inovadora?

Janeiro 20, 2007 às 3:33 am
Pra piorar, pra ver clips que prestam temos que ver a MTV de madrugada ou de manhãzinha…