Séries como “The Office”, “Ali G”, “Balls of Steal”… Artistas como Sacha Baron Cohen (”Borat”) e Ricky Gervais (das séries “Office” e “Extras”). O melhor humor, hoje, vem da Inglaterra. E o filme “Chumbo Grosso” só confirma essa constatação. Trata-se de uma sátira, mas não no sentido americano.
No final dos anos 1970 e até meados de 1980, muitos filmes foram feitos utilizando como motes outras películas. “Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu” e “Top Secret - Super confidencial” se tornaram clássicos. Aliás, essas obras tinham os mesmos criadores: Jim Abrahams e os irmãos David Zucker e Jerry Zucker.
Depois, a fórmula passou a não parodiar gêneros, mas sim cenas específicas de filmes de sucesso. Também surgiram vários “seguidores”, o que diluiu a idéia. Até mesmo Mel Brooks passou a fazer paródias nesse estilo. Há o mediano “SOS - Tem Um Louco Solto no Espaço” e o ruim e “Drácula, Morto Mais Feliz”. Na verdade, Brooks já fazia filmes nesse estilo, e bem antes dos demais. “Banzé no Oeste”, uma sátira aos filmes de velho oeste, é datado de 1974. Mas nos anos 1980 abraçou a idéia de parodiar cenas específicas.
Todavia, foram Abrahams e os Zucker que criaram uma grife, e produziram vários filmes em série. Até mesmo no estilo o maior número de piadas por segundo eles fizeram boas obras, como a trilogia “Corra que a Polícia Vem Aí”. O mesmo não pode ser dito das obras mais recentes deles, como os episódios três e quatro de “Todo Mundo em Pânico”.
Em suma, recentemente tais filmes acabavam resultando em espetáculos de escatologia, como “Espartalhões” e “Deu a Louca em Hollywood” (esses títulos brasileiros…). Coube a uma dupla britânica reeditar a idéia de satirizar gêneros completos, e não apenas cenas.
Eis “Chumbo Grosso” (”Hot Fuzz”, Inglaterra, 2007), que conta com Edgar Writght na direção e com o ator Simon Pegg, e que chega agora às locadoras. No filme, há uma estória que vai flertando com todos os clichês de filmes de ação e de suspense. Ou, no que se convencionou ser chamado de “policial”. Ou seja, não pega um material já criado por outro e apenas insere o elemento humor (apesar das obras originais, por mais que tentem ser sérias, já mostram um lado ridículo fácil de ser trabalho sobre o prisma cômico).
A estória é simples. Um policial de Londres é transferido para o interior por ser “eficiente demais” e, por isso, criar problemas para seus colegas. Chegando à nova cidade, descobre que as coisas não são tão calmas quanto pareciam.
É um divertido filme, que poderia ser ainda melhor se fosse mais curto, o que daria mais ritmo à estória. Também começa lento em humor, só melhorando da metade para o final. Edgar Writght e Simon Pegg já brincaram com o gênero horror em “Todo Mundo Quase Morto”. Um dos próximos a serem assistidos.