Charles Bronson revive
Escrito por charles c em Março 8, 2008

Segundo o site IMDB, “Onde os Fracos não têm Vez” (”No Country for Old Men”) venceu 4 Oscars e levou 79 prêmios outros. Curiosamente, nossa mania de rebatizar filmes, que geralmente estraga o filme ou entrega detalhes importantes, dessa vez foi bem perspicaz nesse caso.
Pessoalmente, nunca fui um entusiasta dos irmão Coen. Eles tem um filme muito bom, “Fargo”, mas também colecionam equívocos, como “Matador de Velhinhas”. Obviamente, seria complicado analisar um artista pelos extremos (há exceções, que mostram um vigor criativo em uma obra apenas ou em momentos específicos de sua carreira). Um artista que perdura permite uma leitura de sua obra como um todo, como é o caso deles. Mesmo assim, o computo geral seria mediano. Assim como “Onde os Fracos não têm Vez”.
O alarde feito não corresponde ao fatos. O filme exibe qualidades: boa direção, atuações acima da média mas a estória… A premissa pode até ser interessante, apesar de não ser original. Mas esse não é o maior problema, e sim a condução do texto. Apesar de ter ganho o Oscar de roteiro, há uma das características mais pobres que um autor pode fazer para ligar pontos importantes de uma narrativa: recorrer a uma coincidência. E o filme mostra uma no estilo novela mexicana. O assassino Anton Chigurh entra na casa de quem está procurando e acha, logo que entra, a conta telefônica do fugitivo, sendo fácil identificar possíveis lugares onde ele poderia procurar abrigo. Isso foi a forma encontrada pelo roteiro para dar continuidade à história, visto que seria bastante difícil prosseguir nessa caçada sem essa “facilidade”.
Há mais: mesmo sabendo do perigo que estava correndo, um veterano do Vietnã se mostra bastante descuidado. Foge de sua casa, mas deixando tudo para trás. Poderia simplesmente queimar o lugar, diminuindo rastros. Também não troca a maleta que trazia o “tesouro”, o que facilita a identificação do que leva. Pior, anda com ela para todo lugar, quando poderia colocar em uma bolsa maior a “mercadoria” encontrada. Nem vai para lugares realmente distantes, apesar de estar com o bolso cheio de grana. Poderia simplesmente pegar um avião para um lugar realmente longínquo e se afastar do perigo. Prefere ir de ônibus para lugares próximos ao problema.
Todavia, o mais estanho é mesmo Anton Chigurh. Vivido por Javier Barden, a personagem exibe uma capacidade ímpar de se livrar do perigo ou de sobreviver com ferimentos em lugares em que há possibilidade de cura como John McClane (”Duro de Matar”), o ímpeto de não desistir do seu objetivo como o andróide de “Exterminador do Futuro”, a frieza em cumprir o que prometeu sem devaneios morais como Charles Bronson (”Desejo de Matar”) e uma capacidade de regeneração sobrenatural ao estilo Jason (”Sexta-Feira 13″).
Evidentemente, o filme não é ruim. Possui qualidades cinematográficas superiores a essas menções. Todavia, quando uma película possui tais características, uma resenha destaca apenas esses pontos negativos, tratado como galhofa toda a obra, vide o último “Rambo”. Já em “Onde os Fracos não têm Vez” tais aspectos são tratados como… Na verdade, nem entram na avaliação.

Maio 31, 2008 às 4:34 pm
[...] Texto relacionado Charles Bronson revive [...]