Cinema, aqui agora
Março 17, 2008
O texto, para mim, sempre é a parte mais importante de uma obra artística. Todavia, há exceções. Existem criações que conseguem dar ênfase a outro ponto, e o fazem com qualidade. Não que o texto seja abandonado. Apenas são encontrados outros elementos narrativos de destaque. A literatura já deu mostras que a forma de contar, a abordagem, pode ganhar mais destaque que a história em si.
O cinema aprendeu a lição. Há poucos anos, “Amnésia” (Memento, EUA, 2000), de Christopher Nolan, já havia mostrado isso. Uma estória contada de trás para a frente em que já se sabia o final, mas não como se tinha chegado a ele. Remontando o filme de forma linear, a “clássica”, o texto não se destacaria.
Agora, “Cloverfield” (Cloverfield, EUA, 2008), de Matt Reeves (mas produzido pelo midas J.J. Abrams), vai pelo mesmo caminho. Revisita os filmes de monstro de uma maneira inventiva: a câmera, agora, passa para o olhar da personagem. Steven Spielberg já havia feito isso em “ET”: o olhar da câmera é, não raro, o das crianças. Todavia, em “Cloverfield”, o diferencial não está apenas no ponto de vista, mas na sua forma de percepção: a câmera treme, como se fosse o trabalho de um cinegrafista amador.
Há mais: sabemos tanto quanto as personagens, o que aumenta o sentimento de aflição no público. Além disso, não há truques narrativos para facilitar a compreensão da obra (uma criança no grupo para se ter a desculpa de sempre estar explicando tudo, por exemplo), o que é ótimo. Estamos sempre acompanhando certos personagens, que são tratados “sem apego”. São pessoas comuns que não sabem o que está acontecendo, mas lutam para sobreviver. Não acompanhamos a missão militar que tenta resolver o problema, como o Governo americano está lidando com a situação etc.
De todo modo, como estória, não há muito. O mote do texto, em si, é batido. Apesar de ser possível identificar qualidades que não se encontram facilmente, há os erros recorrentes de outros filmes do gênero (como um certo altruísmo exacerbado e inabalável). Mas a forma como é contado dá um novo fôlego ao “cinema catástrofe”. É um bom filme (não para quem tem labirintite).
Falar em transgressão seria exacerbado. Não esqueçam, é Hollywood na forma mais conhecida do público massificado. Uma continuação já se avizinha.
Entry Filed under: Cinema. Etiquetas: Amnésia, Christopher Nolan, Cloverfield, JJ Abrams, Matt Reeves.
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1.
Lomyne | Março 20, 2008 at 1:00 pm
Mas afinal, o que é? suspense ou ficção cienífica? hein, hein, hein?
2.
Lomyne | Março 20, 2008 at 1:16 pm
ups, científica
3.
Charles C. | Março 20, 2008 at 11:10 pm
Lomyne, tem das duas coisas e até, pasme, história de amor…
4.
Caminhos diferentes &laqu&hellip | Abril 8, 2008 at 11:21 am
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