Não que seja uma novidade. No ano passado, vários filmes mexicanos foram lembrados com indicações ao Oscar. Todavia, nesse ano o Oscar pareceu se transformar em um prêmio globalizado. Isso porque aumentaram o número de países concorrentes, e isso em várias categorias principais. Acima de tudo, muitos ganharam: Javier Bardem (melhor ator coadjuvante por “Onde os Fracos Não Têm Vez”) e Marion Cotillard (melhor atriz por “Piaf - Um Hino ao Amor”).
Outra característica curiosa foi a dicotomia entre o gosto da “academia” e o do público. Se em outras ocasiões filmes como “Titanic” ganharam muitos prêmios e foram sucesso de bilheteria, nesse ano só “Juno” conseguiu unir esses segmentos, muitas vezes distintos. Artisticamente, isso é para lá de importante. Todavia, como se trata de uma premiação que busca grande audiência, isso pode afastar ainda mais o grande público da transmissão (que diminui a cada ano).
Não saberia dizer se os prêmios foram justos. Pela primeira vez, não vi a maioria dos filmes. Nem sei se a palavra “justiça” se emprega aqui. Afinal, as escolhas são guiadas por gostos, que são subjetivos. Alguns filmes, por mais que não sejam tão elaborados (ou apresentem problemas artísticos significativos) resultam em algo maior. Outras vezes, um filme simboliza uma época (teria sido importante “Brokeback Mountain” ganhar, bem como foi consagrador a conquista de filmes independentes nos anos 1990) ou corrigem injustiças (como diretores ou atores sempre alijados da conquista, que acabam ganhando por trabalhos menores porque já passou do momento de levar). O que conta, muitas vezes, é a emoção. Ademais, em termos artísticos, seria difícil apontar que filme irá perturar, que película terá um legado duradouro na história do cinema.
De qualquer forma, “Juno” ganhar por roteiro original foi muito bom. Fazia tempo - desde Bjork, creio - que uma pessoa tão diferente (Diablo Cody) não ia à premiação. Melhor: uma tatuada, com as pernas à mostra, levou. Daniel Day-Lewis (melhor ator por “Sangue Negro”) é um dos melhores da sua geração. Cate Blanchet, a melhor atriz atualmente, também deveria ter levado. Ethan e Joel Coen (vencedores nas categorias roteiro adaptado, melhor filme e direção por “Onde os Fracos Não Têm Vez”) emociam, principalmente, por parecerem que adoram filmes. É o cinéfilo que passou de amante do cinema a fazedor de cinema. Uma espécie de músico que consegue viver da sua arte; sua paixão não é apenas um hobbie. De qualquer forma, em termos de emoção, torci por “Juno”.
Eis vencedores do Oscar 2008:
Melhor filme: “Onde os fracos não têm vez”
Melhor diretor: Ethan e Joel Coen (”Onde os fracos não têm vez”)
Melhor ator: Daniel Day-Lewis (”Sangue negro”)
Melhor atriz: Marion Cotillard (“Piaf - um hino ao amor”)
Melhor ator coadjuvante: Javier Bardem (“Onde os fracos não têm vez”)
Melhor atriz coadjuvante: Tilda Swinton (”Conduta de risco”)
Melhor roteiro original: Diablo Cody (”Juno”)
Melhor roteiro adaptado: Ethan e Joel Coen (”Onde os fracos não têm vez”)
Melhor animação: “Ratatouille”, de Brad Bird
Melhor documentário: “Taxi to the dark side”, de Alex Gibney e Eva Orner
Melhor filme estrangeiro: “The counterfeiters”, de Stefan Ruzowitzky (Áustria)
Melhor fotografia: “Sangue negro”
Melhor direção de arte: “Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet”
Melhor edição: “O ultimato Bourne”
Melhor mixagem de som: “O ultimato Bourne”
Melhor edição de som: “O ultimato Bourne”
Melhores efeitos especiais: “A bússola de ouro”
Melhor maquiagem: “Piaf – Um hino ao amor”
Melhor figurino: “Elizabeth – A era de ouro”
Melhor canção original: “Falling slowly”, de Glen Hansard e Marketa Irglova (”Once”)
Melhor trilha sonora original: Dario Marianeli (”Desejo e reparação”)
Melhor curta-metragem: “Le Mozart des pickpockets”
Melhor curta-metragem de animação: “Peter and the wolf”
Melhor documentário em curta-metragem: “Freehand”