Gastas, porém palavras

Art Spiegelman
“Toda palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada”. Assim disse Samuel Beckett. Curiosa frase, ainda mais para alguém que vive de palavras como eu. Uma escrita manufaturada, é bem verdade, mas ainda sim centrada na palavra.
Encarado de tal maneira, minha atividade bloguística poderia ser vista como uma mácula potencializada pelo tempo. Afinal, são mais de quatro anos. E a não existência desse blogue seria um silêncio forjado não pela falta do que escrever, mas pela censura do que poderia ser revelado.
Enfim, uma ausência que seria extremamente histriônica. Esse tempo de ausência poderia ser encarado apenas como uma trégua ao nada. Novamente, lhes ofereço mais um pouco de alguma coisa.
Um filme simpático
Título bobo, é bem verdade. “Amor em Jogo” mereceria um nome mais interessante. Entretanto, o filme é bem melhor: é simples, é leve, é divertido. Certamente, já se viu tudo isso antes. Até melhor. Todavia, é bem acima das comédias românticas recentes. O título em português fala de amor e jogo. Vá por mim, o amor sai ganhando nessa estória. Detalhe importante é que o filme é baseado num livro de Nick Hornby (o mesmo de Alta Fidelidade). Aliás, o mesmo livro já havia originado um outro título, “A Febre da Bola”, em 1997. Fiquei interessado em ver esse também.
Uma obra necessária
Judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos. Já os poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Há mais: os franceses são sapos. Em momentos de sofrimento, todos são humanos. Eis “Maus”, uma história em quadrinhos de Art Spiegelman, que narra a história de seu pai durante a segunda guerra mundial. Como já falei sobre isso antes, serei curto. Leia. É necessário.
Trecho
“Enfim, é banal ler, em textos de auto-ajuda, que, à força de desejar, a gente consegue: quem não larga o osso é recompensado um dia. Aviso: não é verdade. [...] A intensidade do desejo não leva necessariamente ao sucesso.
Mesmo assim, há uma boa razão para desejar com força: quase sempre, quem não se atreve a querer “doidamente” sofre da única culpa que a gente nunca se perdoa, a culpa de não ter ousado viver segundo nosso desejo.” (Contardo Calligaris)
Enquanto isso…
“You’re Beautiful”, James Blunt / “Mr. Brightside”, Killers / “Minority”, Green Day / “Only”, Nine Inch Nails / “Jetstream”, New Order / “Nowhere Girl”, B Movie / “Every Beat of the Heart”, Railway Children / “Sunday Morning”, Maroon 5.
Add comment Agosto 15, 2005









