
Quando se viaja, costuma-se fazer comparações entre o local visitado e de onde se vem (“olha, aqui é assim, mas onde moro é de outro jeito”). Mas essa cidade, tamanho seu gigantismo, deixa as pessoas que vieram de cidades bem menores sem a possibilidade de comparação, tamanha a quantidade de situações únicas.
Em uma semana, chama atenção a pluralidade de atividades. Aliás, uma das razões de ir para lá (dois grandes shows em menos de uma semana). Os jornais trazem um guia, toda sexta, destacando o que há de melhor para fazer por lá. E cada guia tem mais de 100 páginas! (esse vai ser a primeira de muitas frases terminadas em exclamação desse texto, posto que são necessários). Mesmo assim, apesar das inúmeras atividades culturais, São Paulo optou também por um bairro-lazer, a Vila Madalena.
Para se divertir, é necessário fazer um plano de trabalho, enumerando rotas e o que visitar, com metas definidas e horários a serem respeitados. Do contrário, a visita à cidade será comparável a olhar pelo espelho de um carro a mais de 100 km/h uma paisagem qualquer.
Para uma cidade que dizem ser fria, São Paulo não veste tal carapuça. Quer dizer, fria é, mas em termos de temperatura. Na verdade, o povo se mostra cortês na maior parte do tempo. Nos shows de rock, clima de comunidade shallon, com pessoas pedindo desculpas ao pisar no seu pé e pedindo com licença para passar por você. E isso no meio de uma multidão de mais de 40 mil pessoas. É verdade que o contato não é tão esfuziante quanto no Nordeste, mas vi vários sorrisos por lá. Tímidos, é bem verdade, mas mesmo assim sorrisos.
Cabelos coloridos, picotados, ao estilo de estrelas do rock… Tudo isso somado com adereços diversos, como os piercings em demasia e nos lugares mais insólitos, o que deixa você com medo de pegar tétano apenas ao tocar em uma pessoa!
E a moda? Quando você se depara, à noite, com pessoas diferentes em cidades pouco afeitas a demonstrarem o único, surge aquela pergunta (“onde essa pessoa exótica vive diariamente que nunca topei com ela?”). São Paulo torna isso banal. Lá, o roto (chique) convive normalmente com o engravatado.
São Paulo também gosta de lhe presentear. Afora os postais gratuitos em todos os locais, você, de tanto andar, pode se deparar com um coffee break. E isso na Pinacoteca!
Grandes paradoxos aguardam quem visita São Paulo. Numa cidade tão urbana, existe o parque do Ibirapuera. Na Avenida Paulista, entrasse no shopping e encontrasse… uma feirinha. No aeroporto, para fazer embarque e desembarque, é necessário andar de… ônibus (e muitas vezes de pé)!
Nessa cidade tão grande, difícil não se sentir em casa, tamanha a quantidade de grupos concentrados em lugares específicos (galeria do rock, bairro Liberdade para os descendentes de asiáticos…). São Paulo também é a cidade dos vários periódicos, muitos de graça. Há “jornalzinho” em quase todos os lugares.
São Paulo também é uma cidade que aceita inúmeros lugares-comuns. O melhor amigo do homem é o cachorro, por exemplo, creio que tenha sido criado por lá, tamanho o número de cães. E que são tratados como iguais, visto que podem passear pelos shoppings.
Para realçar meu estranhamento em relação a Caetano Veloso, nada aconteceu no meu coração quando atravessei o famoso cruzamento.
Findo a semana, fomos embora, mas acho que esse texto não condiz com São Paulo. Visitei a cidade, mas deixei de fazer tantas coisas que não sei se esse texto reflete o que é, realmente, a cidade.
PS – Esse texto, essa viagem e todas as lembranças resultantes do período não seriam possíveis se não tivéssemos sido acolhidos pela minha mais nova amiga de infância, Ticiana. Obrigado por nos aceitar em sua casa, bem como ser uma guia que nos mostrou o melhor da cidade (aí incluímos você).